Vereadores querem calendário emergencial para recuperar ruas, cobrar transparência nos gastos e investigar contratos; prefeita enfrenta pressão diante das reclamações sobre a situação do asfalto
A situação das ruas de Campo Grande se tornou um dos principais focos de pressão sobre a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP). Diante das reclamações da população e da falta de respostas consideradas suficientes pelos vereadores, a Câmara Municipal prepara um plano com prazos para a recuperação do asfalto e avança na organização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a operação tapa-buracos.
A proposta estabelece medidas emergenciais em até 72 horas, divulgação de um mapa dos pontos críticos em sete dias, balanço dos serviços em 15 dias e apresentação de um plano de recapeamento em até 30 dias.
O calendário também prevê prestação de contas semanal da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), com informações sobre equipes em operação, locais atendidos, ocorrências pendentes e custos dos serviços.
A iniciativa representa uma cobrança direta à administração municipal para que apresente resultados concretos diante de um problema que afeta motoristas, motociclistas, comerciantes e moradores de diferentes regiões da Capital.
CPI amplia pressão sobre a Prefeitura
Paralelamente ao plano de recuperação viária, os vereadores articulam uma CPI para investigar a execução dos serviços de tapa-buracos, os contratos firmados pela Prefeitura e a aplicação dos recursos públicos destinados à manutenção das ruas.
O requerimento, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), recebeu apoio dos 29 parlamentares da Câmara. Entre os pontos previstos estão a redução dos recursos destinados à manutenção viária, possíveis irregularidades contratuais e dificuldades na obtenção de informações sobre os serviços.
A investigação também pretende esclarecer por que a operação perdeu regularidade e quais responsabilidades cabem aos gestores públicos e às empresas contratadas.
A comissão ainda depende da definição de seus integrantes. A disputa pelas cinco vagas adiou a instalação inicialmente prevista para o fim de outubro, mantendo a investigação em fase de organização.
Prefeitura terá de explicar resultados
A pressão do Legislativo ocorre em meio a cobranças sobre a capacidade de atendimento da Prefeitura e a efetividade dos serviços realizados.
Segundo informações apresentadas pelo presidente da Câmara, Papy (PSDB), os vereadores protocolaram mais de 9 mil indicações relacionadas a pedidos de tapa-buracos somente no primeiro semestre de 2026.
O secretário municipal de Infraestrutura, André de Moura Brandão, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre a execução dos serviços. A administração municipal atribui parte das dificuldades às chuvas e afirma ter ampliado o número de equipes em operação.
Mesmo diante das justificativas, a Câmara quer dados sobre o atendimento das demandas, os custos por serviço e o planejamento para resolver os problemas de forma definitiva.
O plano proposto pelos vereadores também prevê cooperação técnica com a UFMS e o Crea-MS, além da criação de um observatório municipal para acompanhar ocorrências, gastos, reparos realizados e indicadores de qualidade do asfalto.
Cobrança por solução definitiva
A proposta busca evitar que a recuperação das ruas fique restrita a intervenções temporárias, com novos buracos surgindo após períodos de chuva.
Além do tapa-buracos, os vereadores defendem medidas de drenagem, recapeamento e controle da qualidade dos materiais utilizados.
Para a gestão Adriane Lopes, o desafio é transformar os anúncios de recuperação viária em resultados que possam ser verificados pela população.
Com a CPI em preparação e um calendário de cobrança sobre a mesa, a administração municipal passa a enfrentar uma pressão política ampliada para explicar os gastos, apresentar um planejamento consistente e demonstrar quando os moradores poderão contar com ruas em melhores condições.



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