Conversa obtida por investigadores traz orientações sobre a movimentação de recursos para os EUA
Uma mensagem atribuída ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro indica que ele discutiu formas de viabilizar o envio de recursos aos Estados Unidos para financiar “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A conversa aparece em documento da Procuradoria-Geral da República (PGR), elaborado com base nas investigações da Polícia Federal. O parecer, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet em julho, deu aval à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o financiamento internacional do filme.
Os investigadores obtiveram uma captura de tela da conversa, mas o documento não identifica quem recebeu a mensagem atribuída a Eduardo. No diálogo, o ex-deputado afirma que o cenário mais conveniente seria que o dinheiro já estivesse nos Estados Unidos e alerta para dificuldades caso os valores partissem de uma empresa brasileira.
“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, diz a mensagem.
Na sequência, Eduardo teria sugerido que fosse enviado “o máximo possível” pelo sistema que já vinha sendo utilizado e citado Altieris Santana como alguém disponível para participar pessoalmente de reuniões.
Santana é apontado na investigação como diretor do Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas que administrava valores e fazia repasses à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo projeto.
US$ 12,3 milhões enviados aos EUA
A investigação também analisa a origem e o destino de milhões de dólares movimentados para o projeto. Em dezembro de 2024, o publicitário Thiago Miranda enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta de financiamento da produção, então chamada “Capitão do Povo”, que previa investimento de US$ 24 milhões em 14 parcelas.
Em 2025, a Entre Investimentos, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, realizou remessas que somaram US$ 12,3 milhões ao exterior. Mineiro fechou acordo de colaboração premiada com a PGR, homologado pelo ministro André Mendonça, do STF.
Segundo a apuração, o empresário detalhou pagamentos ao fundo ligado ao filme e relatou outras operações financeiras realizadas a mando de Vorcaro.
A PF considera que os valores previstos para “Dark Horse” destoam dos parâmetros do mercado audiovisual e afirma ser necessário esclarecer a origem, os beneficiários finais e a efetiva destinação do dinheiro.
Flávio também aparece na investigação
O parecer da PGR aponta ainda a participação do senador Flávio Bolsonaro em tratativas com Vorcaro relacionadas ao projeto. Registros analisados pelos investigadores incluem cobranças por repasses, reuniões e conversas sobre o andamento das filmagens.
A investigação busca esclarecer, entre outros pontos, por que a Entre Investimentos foi usada como intermediária, qual era a função do Havengate Development Fund e quais papéis Eduardo e Flávio Bolsonaro teriam desempenhado na estruturação, cobrança e destinação dos aportes.
Eduardo ainda se manifestou sobre as informações.
Fonte: ICL




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