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Empresa de Flávio Bolsonaro divide endereço em Brasília com empresas ligadas ao ‘Careca do INSS’
Empresa de Flávio Bolsonaro divide endereço em Brasília com empresas ligadas ao ‘Careca do INSS’

Levantamento aponta que a Bravo Grafeno está registrada na mesma sala onde aparecem empresas atribuídas a Antonio Carlos Camilo Antunes, investigado no caso dos descontos indevidos em benefícios do INSS

A empresa Bravo Grafeno, ligada ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), está registrada no mesmo endereço em Brasília onde também aparecem empresas relacionadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado no esquema de descontos indevidos que atingiu aposentados e pensionistas.

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As informações foram divulgadas pelo portal ICL Notícias, a partir de levantamento realizado com dados públicos de registros empresariais. Segundo a reportagem, pelo menos 16 empresas ligadas a Antunes aparecem cadastradas no mesmo endereço da Bravo Grafeno, na sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal.

O endereço também é relacionado à Voga Serviços Contábeis, empresa que, segundo o levantamento, tem entre seus sócios Alexandre Caetano dos Reis. Ele é apontado como integrante do núcleo empresarial de Antunes e está entre os investigados no caso.

Relação com serviços contábeis

A reportagem também aponta uma relação profissional entre Alexandre Caetano dos Reis e empresas ligadas a Flávio Bolsonaro.

De acordo com o levantamento, Alexandre é responsável pela contabilidade do escritório de advocacia do senador. O e-mail da Voga Serviços Contábeis também aparece em notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio, segundo informações anteriormente divulgadas pelo Metrópoles.

Durante a apuração realizada pelo ICL no edifício, um representante da Voga confirmou que a empresa presta serviços para a Bravo Grafeno, mas negou que a sala 2601 pertencesse à empresa de contabilidade. Segundo ele, o espaço funcionaria como um coworking e teria proprietários diferentes.

A reportagem relata, porém, que funcionários que circulavam pelo andar indicaram a recepção da Voga, localizada na sala 2603, quando foram procurados informações sobre a sala 2601.

Empresa foi criada pela família Bolsonaro

A Bravo Grafeno foi aberta em junho de 2024 e possui capital social de R$ 100 mil. A empresa comercializa capacetes e acessórios para motociclistas.

Além de Flávio Bolsonaro, o quadro societário também inclui Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-presidente participou anteriormente da sociedade e passou a divulgar publicamente os produtos da marca.

O domínio utilizado pela empresa foi registrado em julho de 2024 em nome de Flávio Bolsonaro.

A sociedade também conta com outros empresários, entre eles Pedro Luiz Dias Leite, Paulo Giordano Bernardi e Fernando Nascimento Pessoa.

Empresas ligadas ao ‘Careca do INSS’

Antonio Carlos Camilo Antunes é um dos principais personagens investigados no caso que apura descontos associativos indevidos realizados sobre benefícios de aposentados e pensionistas.

Segundo as informações apresentadas na reportagem do ICL, a rede empresarial atribuída a Antunes chegou a reunir empresas de diferentes áreas, incluindo consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e serviços de call center.

Entre elas está a Prospect Consultoria Empresarial. Conforme dados citados no levantamento, a empresa teria recebido R$ 204,2 milhões de entidades investigadas no esquema, sendo R$ 115,9 milhões provenientes da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA.

A sala 2601 do mesmo edifício aparece como endereço cadastral da Prospect.

Ainda de acordo com o levantamento, oito empresas relacionadas ao grupo foram abertas no mesmo dia, em 5 de outubro de 2023.

Outros vínculos citados na investigação

Outro nome mencionado na reportagem é o de Letícia Caetano dos Reis, irmã de Alexandre Caetano dos Reis. Ela aparece como administradora do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.

Segundo entrevista concedida por Letícia à Agência Pública em 2022, sua entrada no escritório ocorreu por indicação do advogado Willer Tomaz, que também aparece relacionado à investigação do caso do INSS.

Tomaz possui procuração para representar Alexandre Caetano dos Reis no processo relacionado às investigações.

Os vínculos citados, entretanto, dizem respeito a relações empresariais, profissionais e societárias. A existência dessas conexões não significa, por si só, que Flávio Bolsonaro ou os demais integrantes da família tenham participado das fraudes investigadas no INSS.

Investigação apura prejuízos a aposentados

O caso dos descontos indevidos no INSS envolve entidades que tinham autorização para realizar cobranças diretamente sobre benefícios previdenciários.

As investigações apontam que valores eram descontados dos benefícios de aposentados e pensionistas sem a devida autorização. O caso envolve milhões de beneficiários e movimentações financeiras realizadas por meio de uma rede de empresas.

Antonio Carlos Camilo Antunes é investigado como um dos operadores desse esquema e está preso preventivamente, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

Flávio Bolsonaro já negou envolvimento nas irregularidades relacionadas ao escândalo do INSS.

Procurados pelo ICL Notícias, Flávio Bolsonaro e outros envolvidos não haviam apresentado manifestação até o fechamento da reportagem utilizada como base para este texto. A defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes também foi procurada.

A Folha Publicitária não encontrou, nas informações apresentadas, qualquer decisão judicial que atribua ao senador Flávio Bolsonaro participação nas fraudes investigadas. O que existe, neste momento, são registros empresariais e relações profissionais apontados nas apurações jornalísticas, incluindo o compartilhamento de endereço entre a empresa ligada ao senador e empresas relacionadas ao investigado no caso do INSS.

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