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Soraya enfrenta Bolsonaro e devolve acusação: “Quem me traiu, traiu você, sua família e a pátria”
Soraya enfrenta Bolsonaro e devolve acusação: “Quem me traiu, traiu você, sua família e a pátria”

Eleita na onda bolsonarista de 2018, senadora diz que teve coragem para romper com o grupo e afirma que escolheu defender mulheres e famílias de Mato Grosso do Sul

A senadora Soraya Thronicke (PSB) decidiu colocar um ponto final em uma das principais acusações que a acompanha desde que rompeu politicamente com Jair Bolsonaro (PL): a de que teria sido uma “traidora”.

A resposta veio de forma direta e atingiu o núcleo do bolsonarismo. Em seu programa eleitoral, Soraya afirmou que não se arrepende de ter rompido com o ex-presidente e devolveu a acusação ao grupo político que ajudou a elegê-la em 2018.

“Rompi sim. Rompi com quem me traiu, traiu você, sua família e traiu a pátria”, afirmou.

A declaração representa uma mudança importante na narrativa construída pelos bolsonaristas contra a senadora. Durante anos, Soraya foi atacada por antigos aliados justamente por ter deixado de apoiar Bolsonaro. Agora, ela apresenta sua ruptura não como uma traição, mas como uma decisão de consciência.

E há um detalhe que torna o episódio ainda mais simbólico: Soraya foi eleita para o Senado em 2018 justamente no auge da onda bolsonarista.

Naquele ano, a então candidata conseguiu derrotar nomes tradicionais da política de Mato Grosso do Sul e se tornou uma das grandes surpresas das eleições. O voto associado à renovação e ao bolsonarismo foi fundamental para sua chegada ao Congresso.

Mas a relação política com Bolsonaro mudou durante a pandemia da Covid-19. Soraya passou a discordar publicamente do ex-presidente e, em 2022, levou sua ruptura a outro nível ao disputar a Presidência da República.

Desde então, passou a ser tratada como adversária pelo mesmo grupo político que anteriormente havia ajudado a impulsionar sua candidatura.

É justamente contra essa lógica que Soraya constrói agora sua campanha.

“Rompi com quem não defendia mais o que eu acreditava e, por isso, me chamaram de traidora. Eu escolhi ficar do lado das mulheres e das famílias de Mato Grosso do Sul. E sempre escolherei”, afirmou a senadora.

No horário eleitoral, a senadora ainda utilizou uma expressão historicamente associada ao discurso bolsonarista — “Deus, pátria e família” — para fazer uma crítica ao próprio grupo.

“Fui ameaçada e me chamaram de traidora. Rompi sim. Rompi com quem me traiu, traiu você, sua família e traiu a pátria”, declarou.

O recado é especialmente duro porque atinge uma das principais marcas políticas da família Bolsonaro: a tentativa de apresentar lealdade ao grupo como sinônimo de compromisso com os valores defendidos por seus eleitores.

Soraya faz o movimento inverso. Para ela, a verdadeira fidelidade não está em seguir uma família política, mas em manter os próprios princípios — mesmo quando isso significa enfrentar quem ajudou a colocar o político no poder.

“Tem gente que me chama de onça e isso para mim é um elogio. Mas não tente me acuar, não. Porque coragem não falta para mim e nem para as mulheres do Mato Grosso do Sul”, afirmou.

A nova fase da campanha também evidencia a distância que Soraya percorreu desde 2018. No sábado, ela participou, em Belo Horizonte (MG), do encontro de Lula com mulheres e gravou um vídeo ao lado do presidente, que declarou apoio à sua candidatura.

Nas eleições deste ano, Soraya faz dobradinha para o Senado com o deputado federal Vander Loubet (PT).

A trajetória da senadora, portanto, passou por uma transformação completa: ela saiu de uma eleição impulsionada pelo bolsonarismo para uma campanha em que apresenta justamente a coragem de romper com Bolsonaro como uma de suas principais credenciais.

E, ao invés de esconder o passado, Soraya parece disposta a enfrentá-lo de frente agora perguntando ao eleitor quem realmente foi fiel aos princípios que dizia defender.

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