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Bolsonaro nega ter autorizado vídeo de IA exibido na convenção de Flávio
Bolsonaro nega ter autorizado vídeo de IA exibido na convenção de Flávio

Advogados alegam que medidas de Moraes impediram contato entre pai e filho para produção do material

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele não autorizou o uso de sua imagem e de sua voz no vídeo produzido por inteligência artificial exibido durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25), em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

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Na manifestação protocolada nesta quarta-feira (29) ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados Paulo Cunha Bueno e Celso Vilardi sustentam que Bolsonaro não participou da produção do material e que sequer poderia ter concedido autorização, já que estava impedido de manter contato com o filho em razão das medidas cautelares impostas pelo STF.

A peça responde à decisão de Moraes que determinou a intimação da defesa para esclarecer o episódio após a exibição do vídeo durante o evento partidário.

Logo no início da manifestação, os advogados fazem questão de afastar qualquer autorização do ex-presidente para a utilização da tecnologia.

“Inicialmente, cumpre consignar que o Peticionário não autorizou a utilização de sua imagem e voz para a produção do vídeo elaborado mediante inteligência artificial referido na decisão.”
A defesa sustenta que a autorização não apenas não existiu, como seria impossível de ser obtida diante das restrições determinadas pelo próprio Supremo.

Segundo os advogados, Jair Bolsonaro está com o direito de visitas suspenso por 30 dias, enquanto Flávio Bolsonaro permanece impedido de visitá-lo por 90 dias.

“O Peticionário encontra-se com o direito de visitas suspenso pelo prazo de 30 (trinta) dias, enquanto seu filho Flávio Nantes Bolsonaro permanece impedido de visitá-lo pelo prazo de 90 (noventa) dias, circunstância que, por si só, evidencia a inexistência de qualquer contato destinado à obtenção de autorização específica para a elaboração do referido material.”
Na prática, a defesa procura demonstrar ao STF que não houve qualquer conversa entre pai e filho para tratar da produção do vídeo, justamente porque o contato estava judicialmente vedado.

Defesa diz que uso da imagem sempre foi prática comum na família
Apesar de negar autorização específica para o vídeo criado por inteligência artificial, a defesa faz uma distinção importante ao afirmar que o uso da imagem pública de Jair Bolsonaro pelos filhos sempre ocorreu de forma habitual durante sua trajetória política.

Segundo a petição, essa prática antecede as restrições impostas por Moraes e nunca foi contestada pelo ex-presidente.

“Muito antes das restrições atualmente impostas, ao menos desde o período em que o Peticionário exercia a Presidência da República, seus filhos sempre utilizaram sua imagem pública no âmbito da atividade político-partidária, reproduzindo fotografias, gravações, pronunciamentos, discursos, entrevistas e demais manifestações públicas, prática notória, contínua e jamais objeto de qualquer oposição por parte do titular desse direito.”
Com esse argumento, os advogados procuram separar duas situações distintas: o uso tradicional da imagem de Jair Bolsonaro em atividades políticas — que, segundo afirmam, sempre ocorreu com sua concordância — e a produção do vídeo por inteligência artificial, que teria acontecido sem autorização em razão da impossibilidade de contato entre pai e filho.

Estratégia busca afastar responsabilidade de Bolsonaro
Embora a manifestação reconheça que o vídeo foi produzido sem autorização do ex-presidente, a defesa evita atribuir ilegalidade à iniciativa ou questionar diretamente a decisão de Alexandre de Moraes.

A estratégia adotada concentra-se em afastar qualquer interpretação de que Jair Bolsonaro tenha participado da elaboração do material ou consentido com sua produção.

Ao mesmo tempo, preserva a tese de que seus filhos historicamente sempre utilizaram sua imagem em campanhas e eventos políticos, sem que isso jamais tivesse sido objeto de oposição por parte do ex-presidente.

A manifestação será analisada por Alexandre de Moraes no âmbito da execução das medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro, após a exibição do vídeo gerado por inteligência artificial durante a convenção nacional do PL, no último sábado, em São Paulo.

Fonte: ICL

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