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Câmara rejeita projeto que proibia cotas para pessoas trans em concursos de Campo Grande
Câmara rejeita projeto que proibia cotas para pessoas trans em concursos de Campo Grande

Proposta de André Salineiro (PL) foi derrotada por 9 votos a 4; vereador defendeu mérito nos concursos e afirmou que pessoas heterossexuais também sofrem preconceito

A Câmara Municipal de Campo Grande rejeitou, nesta quinta-feira (24), o Projeto de Lei nº 11.763/2025, de autoria do vereador André Salineiro (PL), que pretendia proibir a reserva de vagas para pessoas transexuais, travestis, intersexuais e não binárias em concursos públicos para cargos e empregos permanentes da administração direta e indireta do município.

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A proposta foi rejeitada em primeira discussão por 9 votos a 4. Votaram favoravelmente ao projeto André Salineiro (PL), Herculano Borges (Republicanos), Neto Santos (Republicanos) e Veterinário Francisco (União Brasil).

Na justificativa do projeto, Salineiro argumenta que os concursos públicos devem observar critérios de mérito, competência e capacidade individual, sem distinções relacionadas à identidade de gênero. Durante a discussão da matéria, o vereador também afirmou que pessoas heterossexuais podem sofrer preconceito e defendeu que as vagas no serviço público sejam preenchidas com base na capacidade dos candidatos.

“Homem hétero também sofre preconceito”, afirmou Salineiro durante a defesa da proposta. Em outro momento, o vereador sustentou que “vaga pública não é favor, é competência”.

Críticas ao projeto

Durante a discussão, o vereador Jean Ferreira (PT) se posicionou contra a proposta e afirmou que o projeto buscava proibir uma política de cotas que atualmente não está instituída no município.

“Projeto de lei nefasto que quer proibir o que nem existe em Campo Grande, que são cotas para pessoas trans”, declarou.

Jean também afirmou que a aprovação da proposta poderia voltar a colocar Campo Grande no centro de repercussões nacionais relacionadas a políticas envolvendo a população trans. O vereador fez referência à aprovação anterior de medidas envolvendo o uso de banheiros por pessoas trans no município.

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) também criticou o projeto e pediu que a matéria fosse retirada da pauta. Segundo ela, a proposta representaria um ataque à população trans.

“É uma maldade isso, vereador. Ataque direto à liberdade e à vida das pessoas trans”, afirmou Luiza durante a sessão.

Debate sobre acesso ao serviço público

A discussão também contou com manifestação de Clara Sophya Lopes Targino, que abordou as dificuldades enfrentadas por pessoas trans no acesso à educação, formação profissional e ao mercado de trabalho.

O debate colocou em lados distintos argumentos sobre os critérios de ingresso no serviço público e a adoção de políticas de reserva de vagas.

Enquanto Salineiro defendeu que concursos sejam pautados pelo mérito individual e pela capacidade dos candidatos, vereadores contrários ao projeto sustentaram que políticas específicas podem ser utilizadas para enfrentar desigualdades de acesso enfrentadas por determinados grupos.

Ao final da primeira discussão, o projeto recebeu nove votos contrários e quatro favoráveis e foi rejeitado pelo plenário da Câmara Municipal de Campo Grande.

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