A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para investigar suspeitas de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção relacionadas aos repasses financeiros destinados à produção do filme "Dark Horse", que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre os alvos da apuração estão o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o publicitário Thiago Miranda e sócios de empresas ligadas ao fundo Entre Investimentos e Participações e à holding Havengate Development Fund LP.
Emendas parlamentares também serão analisadas
A pedido da PGR, a Polícia Federal também irá levantar as emendas parlamentares apresentadas por Flávio Bolsonaro para verificar se houve eventual favorecimento ao Banco Master.
O pedido integra as diligências encaminhadas ao STF e busca esclarecer se existe relação entre a destinação de recursos públicos e os repasses financeiros investigados.
Repasses para produção do filme
Segundo a investigação, Daniel Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para a produção de "Dark Horse". Conversas divulgadas em maio deste ano apontam que Flávio Bolsonaro solicitou recursos ao empresário para financiar o projeto cinematográfico.
A principal linha de investigação é identificar se os valores foram efetivamente utilizados na produção do filme ou se serviram para outros objetivos, como eventual financiamento de atividades políticas ou despesas de aliados do ex-presidente.
Até o momento, não foram autorizadas medidas como busca e apreensão ou quebra de sigilos. De acordo com a PF, a abertura formal do inquérito era necessária antes da adoção de novas diligências, em razão da existência de investigados com foro por prerrogativa de função.
Suspeita sobre recursos enviados aos Estados Unidos
Outra frente da investigação busca esclarecer se parte dos recursos enviados ao exterior teria financiado despesas de Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.
A Polícia Federal também apura se os valores foram utilizados para apoiar outras iniciativas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo norte-americano.
Os recursos teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro, para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Defesa dos investigados
Em transmissão ao vivo realizada nesta quinta-feira (23), Flávio Bolsonaro afirmou respeitar o trabalho da Polícia Federal, mas classificou a investigação como uma perseguição política.
"A perseguição é desproporcional. Não adianta eu ficar me explicando ponto a ponto, porque não tem nada, mas cria-se essa atmosfera", declarou.
Eduardo Bolsonaro também negou irregularidades. Em manifestação anterior, afirmou que os recursos relacionados ao filme não foram utilizados para sua manutenção nos Estados Unidos e sustentou que toda a origem dos valores foi devidamente esclarecida às autoridades norte-americanas.
Quando o caso veio a público, Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando ser "falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro". Segundo o senador, os aportes financeiros foram direcionados exclusivamente ao fundo responsável pela produção do filme, que possui estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.
Com a abertura do inquérito, a Polícia Federal dará início às diligências para apurar a origem, a destinação e a legalidade dos recursos envolvidos, além de verificar se houve prática de crimes relacionados às operações financeiras investigadas.
Fonte: ICL Noticias




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