Apesar da movimentação para garantir espaço na chapa do PL, Pollon ainda não consegue repetir nas pesquisas o protagonismo que busca dentro do partido
Enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro defende que a escolha dos candidatos ao Senado seja definida por pesquisas eleitorais, o deputado federal Marcos Pollon parece seguir por um caminho diferente dentro do PL de Mato Grosso do Sul.

Em entrevista concedida ao canal Auri Verde Brasil, em janeiro de 2025, Bolsonaro foi categórico ao afirmar que não haveria privilégios na definição dos candidatos da direita para a disputa ao Senado. Segundo ele, onde houvesse dúvida, a decisão deveria ser baseada na vontade do eleitor medida por pesquisas.
A fala estabeleceu um critério objetivo: competitividade eleitoral.
O problema para Pollon é que, até aqui, os levantamentos divulgados não o colocam entre os nomes mais fortes da direita sul-mato-grossense para a disputa. Em diferentes cenários, figuras como o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado Capitão Contar aparecem em posição mais favorável junto ao eleitorado.
Ainda assim, o parlamentar tem intensificado a movimentação para consolidar sua candidatura, amparado principalmente em uma carta pública de apoio divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após a repercussão de anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro envolvendo seu nome.
Embora o gesto tenha sido interpretado pelos aliados como demonstração de prestígio político, a manifestação não altera um fato básico da disputa eleitoral: candidatos são escolhidos pelos eleitores nas urnas e, antes disso, avaliados pelos partidos a partir de sua viabilidade política.
É justamente nesse ponto que surge a principal contradição.
Se o critério defendido pelo maior líder do campo conservador é o desempenho nas pesquisas, por que Pollon deveria receber tratamento diferenciado dentro da disputa interna?
A questão não é sobre o direito de disputar. Todo filiado tem legitimidade para buscar espaço político. O debate está em torno do método utilizado para definir quem representará o partido em uma eleição majoritária de grande relevância.
Partidos políticos existem para maximizar suas chances eleitorais. Quando uma legenda ignora indicadores de competitividade para privilegiar preferências pessoais, corre o risco de enfraquecer seu próprio projeto político.
O histórico recente do deputado também ajuda a explicar as resistências internas. Nos últimos anos, Pollon já foi apontado como possível candidato à Prefeitura de Campo Grande, ao Governo do Estado e agora ao Senado. Essa sucessão de movimentos tem gerado desconforto entre lideranças partidárias que defendem maior alinhamento estratégico dentro da legenda.
A insistência em consolidar uma candidatura sem o respaldo demonstrado por outros concorrentes nas pesquisas alimenta a percepção de que a disputa deixou de ser apenas eleitoral e passou a ser também uma disputa por influência dentro do partido.
Nenhuma candidatura deve ser definida por amizades, proximidade com lideranças nacionais ou pressão interna. Esse, aliás, foi o próprio princípio defendido por Bolsonaro ao afirmar que não haveria "peixada" na escolha dos candidatos.
Se o PL pretende seguir o critério anunciado por seu principal líder, a decisão sobre a vaga ao Senado deverá passar necessariamente pela avaliação do eleitor. E, até o momento, os números disponíveis não colocam Marcos Pollon na posição mais confortável dessa disputa.



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