Candidatura de Marinho avança no PL, enquanto Tereza enfrenta divisões entre aliados de MS e seu próprio grupo partidário
A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) enfrenta um cenário de crescente pressão política na disputa pela presidência do Senado Federal. Após apoiar Reinaldo Azambuja e Capitão Contar nas eleições em Mato Grosso do Sul, a parlamentar vê o grupo bolsonarista avançar em torno de Rogério Marinho (PL-RN), enquanto a federação formada por seu partido e pelo União Brasil declarou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP).

O movimento evidencia as dificuldades de Tereza para consolidar uma candidatura própria ao comando da Casa, mesmo sendo uma das principais lideranças da direita no Congresso Nacional.
Nesta quarta-feira (4), o PL oficializou Rogério Marinho como candidato à presidência do Senado. A reunião em Brasília contou com a participação de parlamentares da legenda e aliados de outras siglas. Entre os presentes estavam os senadores eleitos por Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, conforme informações publicadas pelo portal Investiga.
Reinaldo também manifestou apoio público à candidatura de Marinho em publicação nas redes sociais, destacando a articulação do PL em torno do senador potiguar.
Apoio eleitoral não se transforma em garantia política
Durante a campanha em Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina esteve ao lado de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, pedindo votos para os dois candidatos ao Senado. A senadora participou da construção da aliança que reuniu lideranças do campo bolsonarista no Estado.
Agora, com a disputa pelo comando do Senado, os interesses políticos do grupo se reorganizam em torno de diferentes candidaturas.
A participação de Reinaldo e Contar na articulação do PL por Marinho ocorre enquanto Tereza tenta viabilizar seu próprio nome para a presidência da Casa. Embora a votação seja secreta e os senadores tenham autonomia para escolher, o cenário expõe a dificuldade da parlamentar em transformar a aliança eleitoral em apoio consolidado ao seu projeto.
Federação de Tereza apoia Alcolumbre
Outro fator que enfraquece a posição da senadora é a decisão da federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, de apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre.
A manifestação foi anunciada pelos presidentes nacionais das duas siglas e contrariou os planos de Tereza Cristina, que mantém a intenção de disputar a presidência do Senado.
A decisão também provocou divergências internas. Tereza questionou a antecipação do apoio e defendeu que os senadores eleitos e reeleitos sejam ouvidos antes de qualquer definição.
Mesmo assim, a posição oficial da federação representa um obstáculo político para a senadora, que precisa construir uma candidatura capaz de reunir apoio além de seu próprio partido.
Pressão para apoiar Rogério Marinho
Com a oficialização de Marinho pelo PL, aliados do senador intensificaram as articulações para que a direita apresente um único candidato contra Alcolumbre.
O próprio Marinho afirmou que mantém diálogo com Tereza e que os dois pretendem chegar a uma convergência antes da eleição, marcada para 1º de fevereiro de 2027. A ideia é avaliar qual candidatura terá melhores condições de vencer.
Na prática, a senadora enfrenta pressão para abrir mão de seu projeto caso a articulação do PL consiga demonstrar maior viabilidade eleitoral.
Tereza, porém, reafirmou que pretende continuar na disputa e defende que a escolha seja feita pelo voto livre e secreto dos 81 senadores.
Disputa mostra divisão no campo bolsonarista
A disputa pelo comando do Senado revela que a unidade construída pelo bolsonarismo durante as eleições não eliminou os interesses individuais e as divergências entre suas lideranças.
De um lado, o PL busca consolidar a candidatura de Rogério Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. De outro, Tereza Cristina tenta preservar espaço político e evitar que sua candidatura seja descartada antes da votação.
A senadora, que apoiou aliados em Mato Grosso do Sul e integra o mesmo campo político, agora precisa enfrentar uma disputa interna para manter seu projeto.
Com a federação apoiando Alcolumbre e o PL avançando em torno de Marinho, Tereza Cristina chega à fase de articulações da eleição sob pressão e com o desafio de demonstrar que ainda reúne força política suficiente para disputar o comando do Senado.



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