Proposta do governo federal foi aprovada em dois turnos, prevê maior integração das forças de segurança e medidas contra organizações criminosas; Nelsinho Trad, Soraya Thronicke e Tereza Cristina apoiaram o texto.
O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (3), em dois turnos e por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, iniciativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fortalecer o combate ao crime organizado e ampliar a integração entre as forças de segurança do país.

A proposta recebeu 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem votos contrários. Com a aprovação nas duas etapas, o texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
Os três senadores de Mato Grosso do Sul — Nelsinho Trad (PSD), Soraya Thronicke (PSB) e Tereza Cristina (PP) — votaram favoravelmente à PEC nos dois turnos, apoiando a proposta que busca ampliar a capacidade de atuação do Estado no enfrentamento às facções criminosas, milícias e organizações paramilitares.
Governo Lula amplia coordenação nacional na segurança
De autoria do Poder Executivo, a PEC estabelece novas bases constitucionais para a atuação conjunta da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios na segurança pública.
Entre as principais mudanças está a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, com o objetivo de fortalecer a cooperação entre as instituições, ampliar o compartilhamento de informações e integrar ações de prevenção e combate à criminalidade.
A proposta também amplia as competências da União na coordenação de políticas nacionais de segurança, preservando as atribuições dos estados e municípios.
Para o relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), a aprovação representa um avanço na integração das forças policiais e no enfrentamento às organizações criminosas.
“Estamos dando o passo que faltava para consolidar o Sistema Único de Segurança Pública”, afirmou o parlamentar, ao destacar o papel da União na coordenação, inteligência e integração das forças de segurança.
Medidas mais rigorosas contra facções e milícias
A PEC estabelece instrumentos mais rigorosos contra integrantes de organizações criminosas, milícias e grupos paramilitares, com previsão de tratamento penal mais severo para lideranças e pessoas envolvidas em estruturas de alta periculosidade.
O texto prevê restrições a benefícios penais e mudanças relacionadas ao cumprimento de penas, além de medidas voltadas à proteção de denunciantes e familiares.
Outro eixo é o enfrentamento financeiro das organizações criminosas. A proposta prevê mecanismos para a perda de bens vinculados a atividades criminosas e destinação de recursos confiscados aos fundos de segurança pública, conforme as regras constitucionais e legais.
A PEC também amplia a atuação da Polícia Federal em investigações de organizações criminosas com atuação interestadual ou internacional que exijam repressão uniforme.
Recursos protegidos e integração das forças
A proposta constitucionaliza instrumentos de financiamento da segurança pública, incluindo o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), com regras para garantir recursos destinados ao setor.
O texto também fortalece as polícias penais, estabelece diretrizes para a integração de sistemas de informação e prevê mecanismos de cooperação entre as diferentes forças de segurança.
Além disso, a PEC contempla medidas de proteção às vítimas, ampliação do acesso à Justiça e fortalecimento de estruturas de controle, como corregedorias e ouvidorias.
Maioridade penal ficou fora da PEC
Durante a votação, os senadores decidiram que as propostas de redução da maioridade penal serão discutidas separadamente, sem inclusão no texto principal da PEC da Segurança Pública.
O requerimento para separar as emendas foi aprovado por 38 votos a 36. Nelsinho Trad e Soraya Thronicke votaram a favor da tramitação separada, enquanto Tereza Cristina votou contra.
A divergência ocorreu nesse encaminhamento legislativo. Na votação da PEC da Segurança Pública, os três senadores sul-mato-grossenses apoiaram o texto nos dois turnos.
A decisão permitiu que a proposta do governo Lula fosse aprovada sem alterações que exigissem o retorno à Câmara dos Deputados, seguindo agora para promulgação.
Próximo passo
Com a promulgação, as mudanças constitucionais passarão a integrar o ordenamento jurídico. Parte das medidas dependerá de regulamentação e de legislação posterior para sua aplicação.
A aprovação representa uma das principais iniciativas do governo federal na área da segurança pública, com foco na integração nacional, no fortalecimento das instituições e no enfrentamento às estruturas de comando e financiamento do crime organizado.
Fonte: Senado Federal e Governo Federal.


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