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Preso pela PF por lavagem de dinheiro, deputado recebeu ‘apoio integral, 100%’ de Flávio Bolsonaro
Preso pela PF por lavagem de dinheiro, deputado recebeu ‘apoio integral, 100%’ de Flávio Bolsonaro

Chamado de “amigo” pelo presidenciável, Márcio Canella chegou a ter a mãe do senador anunciada como suplente; esquema investigado movimentou R$ 7,6 bilhões

O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil-RJ), a quem Flávio Bolsonaro prometeu “apoio integral, 100%” na disputa pelo Senado, foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã de quinta-feira, 15, em uma investigação sobre lavagem de dinheiro. O ex-prefeito de Belford Roxo foi um dos alvos da oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.

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A proximidade com o senador e candidato à Presidência da República foi além do apoio eleitoral: a articulação para levar Canella ao Senado chegou a incluir Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, como primeira suplente da chapa. Elogiado publicamente pelo presidenciável como “competente”, o aliado acabou desistindo daquela disputa após uma primeira prisão, em julho, e se elegeu para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

“Apoio integral, 100%, ao meu amigo Márcio Canella”

Em abril, Flávio Bolsonaro publicou nas redes sociais um vídeo em que reafirmava seu apoio à pré-candidatura de Canella ao Senado. “Estou aqui para reafirmar o meu apoio integral, 100%, ao meu amigo Márcio Canella como pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro”, declarou.

Na gravação, Flávio também classificou o aliado como competente e afirmou que ele estaria ao seu lado na missão de “resgatar o nosso Brasil”.

A proximidade entre os dois não se restringia às manifestações públicas. Em fevereiro, havia sido anunciada a indicação de Rogéria Bolsonaro para ocupar a primeira suplência de Canella na disputa pelo Senado. A composição fazia parte da articulação eleitoral entre o PL e partidos aliados no estado.

Em 7 de julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, Canella foi preso em flagrante após agentes federais encontrarem um fuzil de calibre restrito em seu veículo. A defesa sustentou que a arma pertencia a um policial militar responsável por sua escolta.

Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a prisão preventiva relacionada àquele episódio.

Após a repercussão do caso, Canella desistiu da pré-candidatura ao Senado. No início de agosto, decidiu disputar novamente uma vaga na Alerj.

Ele acabou eleito deputado estadual com 197.178 votos, a segunda maior votação para a Assembleia nas eleições de outubro.

Operação Unha e Carne

A oitava fase da investigação da PF cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas relacionadas à investigação, das quais 96 são postos de combustíveis.

Segundo relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Além de Canella, foram presos o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio de Janeiro, e quatro inspetores da corporação. Os investigados poderão responder, conforme a responsabilidade individual de cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

PF apura suspeitas de relações com o crime organizado
Além da movimentação financeira bilionária, a investigação reúne suspeitas sobre relações entre agentes públicos, interesses políticos e grupos criminosos no Rio de Janeiro.

De acordo com informações divulgadas pelo UOL, os investigadores apuram supostos acordos de Canella com o Comando Vermelho (CV). Segundo a PF, as negociações envolveriam a retirada de barricadas para a realização de obras públicas em troca do recuo de operações policiais e da devolução do controle territorial aos traficantes após a conclusão dos serviços.

A representação policial também menciona a proximidade de Canella com Juracy Alves Prudêncio, o Jura, ex-policial militar apontado como líder do grupo miliciano “Somos Comunidade”.

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