Ato denuncia manipulação da plataforma durante processo democrático no Brasil
Escritórios da Meta no exterior foram alvos de protestos por parte de brasileiros nesta sexta-feira, com mensagens cobrando a não intervenção da empresa nas eleições presidenciais, no dia 25 de outubro.

Um dos atos ocorreu em Paris, diante da sede da empresa na capital francesa e teve como objetivo chamar a atenção da empresa diante de acusações de manipulação de algoritmos, prejudicando o campo progressista. Outro objetivo será o de alertar aos europeus sobre os riscos do envolvimento de Big Techs nas democracias.
Numa carta aberta ao presidente da França, instituições locais é à Comissão Europeia, o grupo alerta que “o que se denuncia no Brasil durante a eleição presidencial de outubro de 2026 pode se repetir na França em 2027, e as ferramentas para examinar essas denúncias já existem”.
O grupo solicitou:
1. À Comissão Europeia: que examine as denúncias relativas à Meta no Brasil como possível fonte de evidências sobre riscos sistêmicos.
2. Às autoridades francesas de regulação digital: que peçam à Meta informações sobre seus mecanismos de recomendação, moderação e distribuição de conteúdo político e avaliem os riscos para 2027.
3. À Assembleia Nacional e ao Senado: que promovam audiências públicas sobre integridade eleitoral e plataformas digitais.
4. Ao Parlamento Europeu: que acompanhe o caso e amplie o debate sobre a fiscalização transnacional das grandes plataformas.
5. À Meta: que forneça explicações técnicas documentadas sobre os episódios denunciados, preserve os registros pertinentes, abra o acesso a dados a órgãos competentes e a pesquisadores independentes, com proteção de dados pessoais, e se submeta a auditoria independente dos critérios de distribuição durante campanhas eleitorais.
6. Às instituições francesas e europeias: que fortaleçam a cooperação com o TSE e demais autoridades brasileiras em prol da integridade eleitoral.
7. À sociedade civil, à imprensa e às universidades: que contribuam para uma investigação pública, independente e internacional sobre o impacto dos algoritmos nos processos democráticos.
Sede internacional da Meta na Irlanda
Também nesta sexta-feira, outro protesto foi organizado na sede internacional da Meta em Dublin, na Irlanda. Cerca de 150 pessoas compareceram, diante de uma empresa que reforçou sua segurança.
Ainda que oficialmente a empresa tenha sua sede na Califórnia, a base da companhia na cidade de Dublin é considerada como uma das mais estratégicas. O local é apresentado como a sede internacional da Meta para a Europa, Oriente Médio e África.
O grupo pedia “eleições livres” e sem a interferência da empresa.
Na convocação, o grupo explica o motivo da iniciativa:
“A democracia brasileira está sob ameaça. A Meta está reprimindo ativamente a campanha de Lula e a esquerda brasileira em suas plataformas, ao mesmo tempo em que impulsiona ativamente o candidato de extrema-direita Flávio Bolsonaro”, afirmam.
Julia Pires, uma das organizadoras, explicou ao ICL Notícias que a ideia surgiu de forma coletiva. “Estamos no lugar certo para isso. A Meta tem, aqui, créditos fiscais, tem um tratamento preferencial. Mas é um alerta que queremos também dar para os europeus: olha o que eles estão fazendo com a democracia no Brasil e na América Latina. Hoje é lá. Amanhã pode ser aqui, com vocês”, disse.
Segundo ela, a operação vai também envolver a sociedade civil irlandesa, justamente para questionar os benefícios fiscais que a empresa vem recebendo.
“O próximo movimento é levar o tema ao Parlamento Irlandês para debater o assunto”, explicou Julia. “Os benefícios podem ser tirados. Pelo menos devem ser questionados”, completou.
Fonte: ICL




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