Grupo volta às ruas no segundo turno de 2026 com ações nas periferias, atividades culturais e diálogo com trabalhadores, estudantes e eleitores que ainda não decidiram seu voto
Criado em outubro de 2022 por mulheres negras em Campo Grande, o movimento Consciência retoma suas atividades políticas neste segundo turno das eleições presidenciais de 2026, com a proposta de mobilizar moradores das periferias, defender a democracia e ampliar o apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O grupo surgiu durante o segundo turno das eleições de 2022, em um cenário que suas fundadoras descrevem como de preocupação com o avanço da extrema direita no Brasil e em Mato Grosso do Sul. Diante daquele contexto, cinco mulheres negras decidiram se organizar para atuar diretamente nas comunidades, dialogar com a população e buscar votos para Lula.
A mobilização começou com a formação de um grupo aberto a pessoas que compartilhavam os mesmos ideais e desejavam participar da disputa eleitoral. Segundo o relato de uma das integrantes, a iniciativa reuniu mais de 400 pessoas em seu primeiro momento, e a primeira reunião presencial contou com mais de 100 participantes.
O nome Consciência foi escolhido como expressão da proposta do movimento. Sua identidade visual traz uma mão segurando um cérebro, símbolo que representa a importância do pensamento crítico e da organização coletiva.
Atuação nas periferias
Desde a criação, o movimento estabeleceu como estratégia a atuação nos bairros populares, com conversas presenciais e mobilização de eleitores. A proposta era dialogar principalmente com pessoas que pretendiam votar em branco ou nulo, incentivando a participação eleitoral e apresentando argumentos em favor da candidatura de Lula.
A iniciativa também contou com o acolhimento da Associação de Mulheres, identificada pela sigla ACSP, que disponibilizou espaço para as atividades do grupo em 2022. A associação atua no acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade e violência.
Com o fim daquele ciclo eleitoral, o Consciência deixou de realizar ações políticas organizadas. De acordo com uma das integrantes, as fundadoras seguiram diferentes caminhos pessoais e coletivos, o que contribuiu para a interrupção das atividades ao longo dos anos seguintes.
Retomada em 2026
Agora, diante de um novo segundo turno presidencial, o movimento volta a se organizar. A articulação reúne antigas integrantes e novos participantes, com um grupo de WhatsApp que, segundo a organização, se aproxima de 500 pessoas.
A retomada mantém a proposta de atuação territorial, mas busca fortalecer o planejamento e a organização das atividades. Entre os bairros mencionados pelas integrantes estão Moreninhas, Aero Rancho, Benfica, Jardim Noroeste, Nova Lima e Nova Campo Grande, além de outras comunidades da capital.
A agenda também já inclui atos públicos, saraus e participação em eventos culturais, tanto nas periferias quanto na região central de Campo Grande. A intenção é aproveitar diferentes espaços de convivência para ampliar o diálogo político com a população.
A organização pretende distribuir tarefas entre os participantes e combinar ações presenciais com iniciativas de comunicação digital. O objetivo é transformar a insatisfação com o cenário político em mobilização coletiva, com atenção especial aos eleitores que ainda não decidiram seu voto ou que cogitam não participar da votação.
Mulheres negras e organização política
A retomada do Consciência também recoloca em evidência a atuação de mulheres negras na mobilização política em Mato Grosso do Sul. O grupo nasceu da iniciativa de cinco mulheres e agora busca ampliar sua capacidade de articulação por meio da participação de novos integrantes.
Mais do que uma ação concentrada no período eleitoral, a experiência de 2022 estabeleceu uma metodologia baseada na presença nos territórios, na conversa direta com os moradores e na construção coletiva de estratégias.
Neste segundo turno, o movimento pretende repetir essa atuação, com uma organização mais estruturada e a combinação de mobilização política e atividades culturais. A aposta é chegar às comunidades, ouvir a população e incentivar a participação eleitoral em defesa das pautas que orientam o grupo.



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