Presidente destaca força das manifestações de rua para fazer a direita atender aos interesses do povo; votação no Senado está prevista para esta quarta
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 13, que a pressão da sociedade e as manifestações pelo Brasil estão obrigando setores da direita a se aproximar dos interesses dos trabalhadores no debate sobre o fim da escala 6×1. A votação em primeiro turno no Senado está prevista para a quarta-feira, 14, e a decisão do partido de Flávio Bolsonaro ocorre após meses de atuação da extrema direita para barrar o andamento da proposta.

“Me parece que depois da pressão da sociedade, me parece que depois de todas as manifestações nas ruas desse Brasil, o partido do PL resolveu votar o fim da escala 6×1”, afirmou.
Na manhã desta terça-feira, Flávio anunciou que votará a favor da proposta, após várias declarações anteriores contrárias à iniciativa em discussão. O anúncio de voto ainda precisa se confirmar no plenário.
“Se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”, declarou Lula, no encerramento da cerimônia de anúncio de medidas para microempreendedores individuais, no Palácio do Planalto.
A fala ocorre em meio à mobilização nas ruas em defesa de direitos e à cobrança pela aprovação de dois dias de descanso semanal sem redução salarial. A pauta também marcou a Marcha pela Democracia na Avenida Paulista, no domingo, 11.
O comentário de Lula veio quando o presidente explicava que as reações políticas às ações do governo não podem impedir o atendimento às necessidades da população.
“Se o barulho que vier acontecer for o barulho da gente atender uma aspiração de vocês, é um barulho bom”, disse, antes de mencionar a luta pela redução da jornada.
No mesmo evento, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou que o fim da escala 6×1 significa ampliar a liberdade e o tempo disponível de quem trabalha.
O ministro associou a proposta a “um dia a mais de descanso, um dia a mais de liberdade pro trabalhador brasileiro” e afirmou que a mudança busca corrigir uma injustiça no mundo do trabalho.
Durigan também ressaltou que a ampliação de direitos pode caminhar junto com o apoio aos pequenos negócios. Segundo ele, o avanço da redução da jornada e das medidas para os MEIs permite “aliar dignidade do trabalho com reforço ao impulso do empreendedorismo”.
Calendário de votação
O Senado realiza nesta terça-feira a quarta sessão de discussão da proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1. A quinta sessão e a votação em primeiro turno estão previstas para quarta-feira, conforme o calendário anunciado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Já aprovada pela Câmara, a proposta prevê a redução da jornada para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem corte salarial. Para passar pelo Senado, precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação.
O governo articula um calendário especial para permitir que as duas votações ocorram no mesmo dia. Essa possibilidade depende de aprovação dos senadores, pois o rito regular prevê três sessões de discussão entre o primeiro e o segundo turno.


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