Em Nioaque, ex-secretária e três pessoas viraram réus por suposto desvio de R$ 4,2 milhões; em Sidrolândia, nova fase da Dirty Pix prendeu três pessoas e apura desvios envolvendo recursos hospitalares
Dois novos desdobramentos de investigações conduzidas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), voltaram a colocar a aplicação de recursos públicos da saúde no centro das atenções nesta quarta-feira (7).
Em Nioaque, a Justiça recebeu denúncia contra a ex-secretária municipal de Saúde Márcia Cristiane Missioneira Jara, os médicos Robson Roosevelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar e a gerente Tatiane Barbosa de Souza Grubert. Segundo o Ministério Público, os quatro são acusados de participação em um esquema que teria provocado um prejuízo de aproximadamente R$ 4,2 milhões aos cofres públicos.
A denúncia integra a Operação Auditus e aponta supostas irregularidades na contratação e execução de serviços médicos prestados ao município pela Prontomed Clínica Médica, atualmente denominada Policlínica Rota Bioceânica. O caso envolve acusações de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, fraude em licitação, peculato e lavagem de dinheiro.
Supostas consultas e exames que não teriam sido realizados
De acordo com o Ministério Público, o grupo teria utilizado listas de atendimentos supostamente falsificadas para simular a realização de consultas, exames e procedimentos médicos.
Entre os indícios apresentados estão registros duplicados, assinaturas consideradas incompatíveis, nomes de pessoas já falecidas e procedimentos apontados como incompatíveis com a idade dos pacientes.
A investigação também cita casos de crianças que teriam aparecido como signatárias de listas de atendimentos médicos. Em outro ponto, pacientes foram relacionados a procedimentos para os quais, segundo a investigação, não haveria respaldo clínico ou documentação correspondente.
O Ministério Público estima que cerca de R$ 4,2 milhões tenham sido desviados. A acusação também pede a devolução dos valores e uma indenização equivalente, elevando o pedido para aproximadamente R$ 8,4 milhões.
A Justiça ainda deverá analisar o caso ao longo da ação penal. O recebimento da denúncia significa que os acusados passam à condição de réus, mas não representa uma condenação.
Sidrolândia também tem novo capítulo
Enquanto o caso de Nioaque avançou para a fase judicial, Sidrolândia foi alvo nesta quarta-feira de uma nova ação do Gecoc e do Gaeco relacionada às investigações envolvendo o Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa.
A nova fase da Operação Dirty Pix resultou na prisão de três pessoas, entre elas o diretor-presidente do hospital, Jacob Breure, além de um assessor político e uma policial. Também foram cumpridos mandados relacionados à investigação.
A operação é um desdobramento das apurações iniciadas em novembro de 2025, quando o MPMS deflagrou a primeira fase da Dirty Pix e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus.
Na ocasião, o Ministério Público informou ter identificado um suposto desvio de R$ 5,4 milhões em recursos destinados ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa. O dinheiro havia sido repassado pelo Estado de Mato Grosso do Sul ao município para a aquisição de equipamentos hospitalares, incluindo um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave.
Segundo a investigação, parte dos recursos teria sido desviada e a empresa fornecedora teria realizado transferências via Pix para pessoas ligadas ao hospital e vereadores.
Propina e movimentações financeiras sob investigação
Na nova etapa da investigação, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, o Gecoc aponta que R$ 482,5 mil teriam sido repassados pelas empresas investigadas ao assessor político Júlio César Alves da Silva.
Ainda segundo a apuração divulgada, parte desse dinheiro teria sido posteriormente transferida para familiares e, na sequência, chegado a pessoas ligadas à política municipal.
As investigações apontam ainda pagamentos a vereadores e pessoas próximas a agentes políticos. Os valores e a participação individual de cada investigado são objeto de apuração pelo Ministério Público.
Dois casos, uma preocupação comum
Embora sejam investigações diferentes e não exista, até o momento, indicação de que os dois casos façam parte de uma mesma organização criminosa, os episódios têm um ponto em comum: recursos destinados à saúde pública aparecem no centro das suspeitas investigadas pelo Ministério Público.
Em Nioaque, a apuração trata de suposta simulação de consultas, exames e procedimentos médicos para justificar pagamentos públicos. Em Sidrolândia, a investigação envolve recursos destinados a equipamentos, materiais e outras estruturas hospitalares, além de supostas transferências financeiras a agentes políticos.
Os casos agora seguem seus respectivos caminhos na Justiça e nas investigações do Ministério Público. Até que haja decisões definitivas, os envolvidos são considerados investigados ou acusados, conforme a situação processual de cada um, e têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
O que os dois episódios recolocam em debate é a necessidade de mecanismos eficientes de controle sobre a utilização do dinheiro público, especialmente em uma área essencial como a saúde, onde desvios ou fraudes podem atingir diretamente a capacidade de atendimento oferecida à população.



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