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Júnior Mochi em 2028: força eleitoral ou necessidade de reconstrução política?
Júnior Mochi em 2028: força eleitoral ou necessidade de reconstrução política?

Após ficar fora da Assembleia, ex-prefeito e ex-deputado já é citado nos bastidores como possível candidato a prefeito de Coxim; resultado de 2026, porém, abre espaço para discutir o tamanho atual de sua força eleitoral

A eleição de 2026 encerrou um ciclo importante na trajetória política de Júnior Mochi em Mato Grosso do Sul. Depois de quatro mandatos como deputado estadual e de ter presidido a Assembleia Legislativa, o ex-prefeito de Coxim não conseguiu retornar ao Legislativo estadual e terminou a disputa como suplente. Em Coxim, entretanto, manteve a liderança entre os candidatos a deputado estadual, com 5.536 votos, correspondentes a 30,71% dos votos válidos para o cargo no município.

O resultado mantém Mochi como um nome relevante na política coxinense, mas também abre uma discussão sobre os próximos passos de sua trajetória. Nos bastidores, o nome do ex-deputado já começa a ser ventilado como uma possível alternativa para a disputa pela Prefeitura de Coxim em 2028.

Mas uma pergunta passa a fazer parte desse debate: a votação obtida em 2026, nas condições em que a candidatura foi construída, seria suficiente para sustentar uma nova candidatura majoritária dois anos depois?

A questão ganha importância porque Mochi não disputou a eleição deste ano sem uma estrutura política significativa em sua principal base eleitoral.

Durante a campanha, o deputado recebeu o apoio do prefeito Edilson Magro e de cinco vereadores de Coxim: Wiliam Meira, Maurício Helpis, Marcinho Souza, Adriana Nabhan e Lúcia da AAVC. A composição mostrava uma parcela expressiva da estrutura política municipal trabalhando em favor de sua candidatura à Assembleia.

Ainda assim, o resultado estadual não foi suficiente para garantir uma nova cadeira na Assembleia.

Em Coxim, Mochi obteve 5.536 votos e ficou muito à frente do segundo colocado, Pedro Kemp, que recebeu 1.175. O resultado confirma que o ex-deputado continua possuindo uma base eleitoral importante no município.

O problema é que uma eleição para deputado estadual não funciona da mesma maneira que uma eleição para prefeito. Na disputa municipal, o eleitor escolhe diretamente entre os candidatos ao Executivo, e a votação é concentrada exclusivamente no município.

Por isso, os 5.536 votos de Mochi não podem ser tratados automaticamente como uma projeção para 2028. O número, porém, permite estabelecer uma referência.

Na eleição municipal de 2024, por exemplo, Edilson Magro foi reeleito prefeito de Coxim com 11.220 votos, contra 6.832 de Pedro Ronny.

Ou seja, a votação de Mochi para deputado estadual em 2026 correspondeu a aproximadamente metade dos votos obtidos pelo prefeito eleito em 2024. Isso não significa que metade dos eleitores de Mochi necessariamente votaria nele em uma eleição majoritária as disputas, os candidatos e as circunstâncias são diferentes, mas mostra que existe uma distância considerável entre a votação que ele alcançou em uma eleição proporcional e o patamar de votos necessário para vencer uma disputa municipal recente.

O peso dos apoios também entra na conta

Outro elemento que merece atenção é o tamanho da estrutura política que acompanhou Mochi em 2026. Além do prefeito, vereadores que integram a política municipal declararam apoio à candidatura. Alguns desses nomes também aparecem no debate sobre o futuro político de Coxim e podem desempenhar papel importante na sucessão municipal de 2028.

Isso coloca uma questão adicional sobre uma eventual candidatura de Mochi: caso ele decida disputar novamente a Prefeitura, terá de reconstruir uma composição política própria ou contará com a mesma estrutura que esteve ao seu lado em 2026?

A resposta ainda não existe. E o próprio Mochi, pelo menos neste momento, não confirma uma candidatura. Após o resultado eleitoral, afirmou que não possui atualmente nenhum projeto político definido e que pretende dedicar mais atenção à vida pessoal em 2027, deixando os próximos passos para serem discutidos posteriormente.

2028 ainda está distante

Também seria precipitado tratar a eleição de 2028 como uma simples continuação da disputa de 2026.

Até lá, o cenário político de Coxim pode mudar significativamente. Novas alianças podem surgir, vereadores podem lançar seus próprios projetos majoritários e outros nomes podem entrar na disputa.

O próprio resultado de 2026 mostrou que a política local não pode ser analisada apenas pela história eleitoral de seus protagonistas.

Júnior Mochi continua sendo um personagem importante da política de Coxim. Foi prefeito por dois mandatos, deputado estadual por quatro legislaturas e presidiu a Assembleia Legislativa. Sua votação de 5.536 votos em 2026 também demonstra que ele ainda possui uma base eleitoral expressiva no município.

Mas transformar essa base em uma candidatura competitiva à Prefeitura exige mais do que uma votação expressiva para deputado.

Será necessário observar a capacidade de reorganização política, a formação de alianças, a disposição de outros grupos em apoiar seu nome e, principalmente, como estará o eleitorado de Coxim em 2028.

Por enquanto, portanto, mais do que afirmar que Júnior Mochi será candidato a prefeito, a eleição de 2026 deixa uma pergunta aberta para a política coxinense:

o resultado obtido nas urnas representa uma base consolidada para uma nova disputa majoritária ou marca o início de uma fase de reconstrução política do ex-deputado?

A resposta será construída nos próximos dois anos.

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