Ex-jogador, que admitiu infidelidade e foi condenado por agressão sexual na Espanha antes de ter a sentença anulada, diz ter recebido do “Espírito Santo” a indicação do nome de Flávio
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) recebeu nesta semana o apoio público de Daniel Alves, ex-jogador da Seleção Brasileira que se tornou uma figura associada ao discurso religioso nas redes sociais.
Em vídeo publicado na segunda-feira (5), após o primeiro turno das eleições, Alves afirmou que estaria fazendo a chamada “política da obediência” e declarou ter recebido uma orientação espiritual para apoiar Flávio.
“Esses dias o Espírito Santo estava soprando o teu nome, Bolsonaro, e o teu número duas vezes”, afirmou o ex-jogador.
A manifestação ganha repercussão porque Flávio construiu parte importante de seu discurso político justamente em torno de valores conservadores relacionados à família, à religião e à moralidade.
No plano de governo apresentado pelo candidato, “família” e “vida desde a concepção” aparecem entre os valores que a candidatura classifica como “inegociáveis”.
É nesse ponto que o apoio de Alves abre espaço para um debate político sobre a coerência entre o discurso de valores defendido por Flávio e o perfil público de alguns de seus apoiadores.
Histórico de Daniel Alves inclui infidelidade e processo por agressão sexual
Daniel Alves se tornou alvo de um processo criminal na Espanha após ser acusado de agressão sexual contra uma mulher em Barcelona.
Em 2024, ele chegou a ser condenado a quatro anos e seis meses de prisão. A decisão, entretanto, foi posteriormente anulada pelo Tribunal Superior da Catalunha, que o absolveu em março de 2025 por considerar insuficientes as provas para sustentar a condenação. Portanto, não é correto afirmar que Alves atualmente cumpre ou possui uma condenação por esse crime.
Outro episódio de sua vida pessoal envolve seu relacionamento com a modelo Joana Sanz.
Em entrevista, Sanz afirmou que decidiu se afastar do ex-jogador depois de descobrir que ele havia sido infiel. Na ocasião, ela disse que a traição havia rompido valores que considerava fundamentais para um casamento, como respeito e confiança.
Apoio religioso a candidato que fala em “valores de família”
O episódio chama atenção também pela forma como Alves apresentou seu apoio.
No vídeo, o ex-jogador não apenas declarou preferência eleitoral. Ele vinculou sua escolha a uma suposta orientação divina e pediu que Flávio mantivesse a humildade.
“Não é quanto à força, não é quanto à inteligência, não é quanto à capacidade de convencimento, é com o poder do Espírito Santo”, afirmou.
A declaração ocorre durante uma campanha em que Flávio apresenta sua candidatura como defensora de valores conservadores e da família.
Em seu discurso de lançamento da candidatura, o senador também afirmou que sua campanha representa uma “luta de quem defende a família” e apresentou a proteção da família como uma das bandeiras de seu projeto político.
O apoio de Daniel Alves, portanto, coloca uma questão política em evidência: até que ponto o discurso de moralidade e defesa da família é aplicado também na escolha e na aceitação pública de aliados e apoiadores?
A resposta cabe ao próprio candidato e aos eleitores.
O fato é que Flávio Bolsonaro recebeu publicamente o apoio de Daniel Alves, que utilizou referências religiosas para justificar sua escolha, enquanto o candidato mantém em seu discurso político a defesa de valores tradicionais ligados à família e à moralidade.
A contradição apontada no debate, portanto, não está em atribuir a Flávio os atos praticados por Alves, mas em discutir a compatibilidade entre o discurso de valores defendido pelo candidato e a imagem pública de pessoas que escolhem apoiá-lo.





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