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Coligação de Riedel confirma à Justiça Eleitoral que Rodrigo Perez estava em viagem particular em jato
Coligação de Riedel confirma à Justiça Eleitoral que Rodrigo Perez estava em viagem particular em jato

Petição apresentada pela própria chapa do governador reconhece que secretário estava em viagem particular com a família ao desembarcar de aeronave em Campo Grande no feriado de 7 de Setembro

O caso envolvendo o secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica de Mato Grosso do Sul, Rodrigo Perez Ramos, ganhou um novo capítulo nesta semana. Em manifestação apresentada à Justiça Eleitoral, a própria coligação que apoia o governador Eduardo Riedel reconheceu que o secretário estava em “viagem particular com sua família” quando desembarcou de uma aeronave particular no Aeroporto Internacional de Campo Grande, no feriado de 7 de Setembro.

A informação consta de representação apresentada pela Coligação Fazendo o Futuro Acontecer contra o deputado estadual e candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul João Henrique Catan (Novo), autor das imagens que deram origem à repercussão do caso.

Na manifestação, a coligação contestou afirmações feitas por Catan sobre o episódio, mas não negou a presença de Rodrigo Perez na aeronave. Segundo o documento, o secretário estaria em viagem particular com a família e teria participado, no mesmo dia, de um ato político ao lado de Eduardo Riedel.

A decisão da Justiça Eleitoral também registra que os documentos apresentados no processo indicavam que Rodrigo Perez esteve próximo da aeronave retratada nas publicações e transportou bagagens.

Com isso, a existência da viagem, da aeronave, da presença do secretário e das malas deixou de ser apenas uma afirmação feita pelo deputado e passou a constar formalmente da discussão judicial.

A viagem era particular, segundo a própria coligação

O trecho mais relevante da manifestação da coligação é justamente a classificação da viagem como particular. A informação muda o foco da apuração. A questão agora não é apenas se Rodrigo Perez estava no avião fato que consta dos autos, mas em quais circunstâncias ocorreu a viagem e qual foi a origem e o destino do deslocamento.

A coligação sustenta que o secretário estava viajando com a família e que posteriormente participou de um ato político em Campo Grande.

O fato de uma viagem ser particular, por si só, não significa que exista qualquer irregularidade. O que a informação acrescenta ao caso é um dado objetivo que permite aprofundar a apuração sobre o deslocamento e sobre as circunstâncias em que o secretário utilizou a aeronave.

O trajeto do avião

A aeronave envolvida no episódio é a PS-VFA, um Embraer EMB-505. Os dados cadastrais levantados pela reportagem apontam o Bradesco Leasing S.A. – Arrendamento Mercantil como proprietário registral e a VLBM Participações Ltda. como operadora. A VLBM possui vínculos societários com integrantes da família Batista, ligada ao grupo empresarial que controla a J&F e a JBS.

O deputado João Henrique Catan afirmou, em entrevista à Rádio Top FM, que dados de rastreamento da aeronave indicariam que o avião saiu de uma propriedade rural em Goiás antes de seguir para Campo Grande.

Segundo Catan, a aeronave teria pousado na Capital por volta das 11h50 do dia 7 de setembro, permanecido aproximadamente 50 minutos no aeroporto e retornado posteriormente a Goiás.

A informação sobre a origem e os horários é apresentada pela Folha como dado atribuído pelo deputado, até que os registros de rastreamento sejam confrontados integralmente pela reportagem.

Catan questionou como o secretário chegou à origem do voo

Em entrevista à rádio Top FM, Catan também levantou uma questão sobre o deslocamento anterior de Rodrigo Perez. Segundo o deputado, não haveria registro da aeronave chegando anteriormente a Campo Grande para buscar o secretário. Por isso, ele questionou como Perez teria chegado ao local de origem do voo.

A partir da informação de que a própria coligação classificou a viagem como particular, a pergunta passa a fazer parte do debate público sobre o episódio.

Como Rodrigo Perez chegou ao local de onde partiu a aeronave?

Até o momento, não há, na documentação apresentada à reportagem, resposta pública para essa questão.

Quem acompanhava Rodrigo Perez?

Outro elemento do caso é a presença de um homem ao lado do secretário durante o desembarque. A pessoa foi identificada como o advogado Thiago Amorim Silva, OAB/MS nº 13.499.

A Folha Publicitária confirmou que Thiago ocupa oficialmente a condição de vogal titular representante do Poder Executivo Estadual no Plenário da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (JUCEMS), cargo para o qual foi nomeado durante o governo Eduardo Riedel.

Nas imagens, ele aparece próximo a Rodrigo Perez durante a retirada das bagagens.

O que a Justiça Eleitoral decidiu

A representação apresentada pela coligação de Riedel resultou em decisão da Justiça Eleitoral que determinou a retirada de algumas publicações de Catan.

O fundamento, conforme a decisão, não foi a existência da viagem ou da aeronave, mas especificamente a afirmação de que as malas retratadas conteriam dinheiro ou recursos relacionados a benefícios fiscais.

Segundo a decisão, não havia elementos objetivos suficientes para afirmar que as malas transportavam dinheiro público, propina ou valores relacionados a eventual concessão irregular de benefícios fiscais.

A magistrada também diferenciou a acusação de transporte ilícito de valores da possibilidade de questionamento político sobre a presença de um agente público em uma aeronave privada.

A decisão registrou ainda que a expressão relacionada à aeronave como sendo “da JBS” demandaria análise mais aprofundada, justamente diante dos registros que apontam a VLBM Participações como operadora e de suas relações societárias com integrantes da família Batista.

O caso ganha novo contorno

A nova informação apresentada à Justiça Eleitoral acrescenta um dado relevante ao episódio: a própria coligação de Eduardo Riedel reconhece nos autos que Rodrigo Perez estava em uma viagem particular com a família.

Isso permite que a apuração avance sobre aspectos objetivos da viagem, sem que seja necessário presumir qualquer irregularidade. Entre os pontos que ainda podem ser esclarecidos estão a origem e o destino do voo, quem disponibilizou a aeronave e quais eram as circunstâncias da presença de Rodrigo Perez no local de origem e posteriormente no aeroporto de Campo Grande.

Também permanece relevante esclarecer a presença de Thiago Amorim ao lado do secretário durante o desembarque, considerando sua condição oficial de representante do Poder Executivo na JUCEMS.

A Folha Publicitária seguirá acompanhando o caso e poderá atualizar a reportagem caso sejam apresentados novos documentos, manifestações oficiais ou informações capazes de esclarecer as circunstâncias da viagem.

O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

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