Secretário Rodrigo Perez foi flagrado desembarcando da aeronave no feriado de 7 de Setembro; Fábio Trad pediu investigação à Polícia Federal
O secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica de Mato Grosso do Sul, Rodrigo Perez Ramos, foi flagrado no dia 7 de setembro desembarcando no Aeroporto Internacional de Campo Grande de uma aeronave particular operada por uma empresa ligada à família Batista, controladora da J&F e da JBS.

As imagens mostram Perez deixando a aeronave acompanhado de um homem apontado, nas representações encaminhadas à Polícia Federal, como possível integrante da segurança da Governadoria. Também aparecem diversas malas sendo retiradas do avião.
O episódio ganhou repercussão política nesta quarta-feira (9), depois que o deputado estadual João Henrique Catan (Novo) levou o caso à tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). O parlamentar chegou ao plenário carregando uma mala e cobrou explicações do Governo do Estado sobre a viagem.
Além de Catan, o ex-deputado federal e candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul Fábio Trad (PT) também acionou a Polícia Federal para pedir esclarecimentos e a preservação de imagens e registros relacionados ao voo. Os dois apresentaram iniciativas distintas, mas com o mesmo ponto central: a necessidade de esclarecer as circunstâncias do deslocamento do secretário.
Catan leva mala à tribuna e cobra explicações de Riedel
Durante o pronunciamento na ALEMS, João Henrique Catan questionou a ausência de explicações públicas sobre a viagem e defendeu que Rodrigo Perez seja convocado para prestar esclarecimentos aos deputados.
Com uma mala em mãos, o parlamentar fez referência às imagens divulgadas anteriormente e questionou a quantidade de bagagens retirada da aeronave.
Catan também levantou questionamentos sobre a presença de funcionários da estrutura do Governo do Estado no aeroporto e sobre a eventual ausência de uma agenda oficial relacionada à viagem.
Segundo o deputado, a Assembleia deveria chamar o secretário para explicar o episódio.
O parlamentar ainda criticou a falta de transparência que, em sua avaliação, existe no Governo do Estado e questionou a fiscalização relacionada a voos particulares.
A manifestação ocorreu nesta quarta-feira (9), durante sessão da Assembleia Legislativa. A própria ALEMS registra sessão plenária nesta data.
Fábio Trad também leva o caso à Polícia Federal
O episódio também chegou à Polícia Federal por iniciativa de Fábio Trad. Segundo informações divulgadas sobre a representação, o candidato do PT pediu que sejam preservadas as imagens do sistema de videomonitoramento do aeroporto e os registros relacionados à aeronave.
Trad também solicitou que seja identificado o homem que aparece nas imagens auxiliando Rodrigo Perez durante o desembarque. Caso seja confirmado que o homem pertence à estrutura de segurança do Governo do Estado, a representação pede que sejam verificadas informações como vínculo funcional, lotação, escala de serviço, eventual ordem de missão, diária e utilização de veículo oficial.
A iniciativa de Trad é especialmente relevante porque desloca parte do debate político para uma esfera institucional: em vez de afirmar que houve irregularidade, a representação pede que os órgãos competentes preservem provas e esclareçam as circunstâncias do episódio.
Os pedidos de Catan e Trad foram apresentados no contexto eleitoral de 2026, já que ambos são candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul e adversários políticos do governador Eduardo Riedel.
De quem é a aeronave?
A aeronave identificada nas imagens é a PS-VFA, um Embraer EMB-505. Os dados levantados sobre o avião apontam o Bradesco Leasing S.A. – Arrendamento Mercantil como proprietário registral e a VLBM Participações Ltda. como operadora.
É justamente nessa etapa que surge a conexão empresarial que passou a chamar atenção no caso. A VLBM Participações está relacionada à família Batista. Informações empresariais e reportagens recentes apontam Valére Batista Mendonça Ramos, filha de José Batista Sobrinho, fundador da JBS, entre os integrantes da estrutura societária ligada à empresa.
É importante fazer uma distinção: os dados levantados não permitem afirmar simplesmente que o avião seja propriedade da JBS. O proprietário registral indicado é o Bradesco Leasing, enquanto a operação aparece vinculada à VLBM Participações.
Por isso, a forma tecnicamente mais precisa de descrever a aeronave é:
“jato operado por empresa ligada à família Batista, controladora da J&F e da JBS”.
O ponto que ainda precisa ser explicado
Mais do que a identificação da aeronave, o principal questionamento do episódio é a circunstância da viagem.
Até o momento, permanecem perguntas sem resposta pública sobre:
Qual era a origem do voo?
Qual era o destino da aeronave?
Rodrigo Perez estava em viagem oficial ou particular?
Qual era a finalidade do deslocamento?
Quem disponibilizou a aeronave?
Quem custeou o voo?
Quem eram os demais passageiros?
A quem pertenciam as malas?
O homem que aparece auxiliando o secretário é servidor ou agente de segurança do Governo do Estado?
Ele estava em serviço no momento do desembarque?
Existia ordem de missão para acompanhar o secretário?
Houve utilização de veículo ou outro recurso público?
São perguntas objetivas que podem ser respondidas por documentos, registros aeronáuticos, escalas de serviço, ordens de missão e pela própria manifestação do Governo do Estado.
Relação com a família Batista também entra no debate
A relação empresarial da operadora da aeronave com integrantes da família Batista acrescentou outra camada ao episódio. Reportagens publicadas nesta quarta-feira apontam ainda que Rodrigo Perez já apareceu em registros de eventos ligados ao setor pecuário ao lado de integrantes da família Batista e de outras autoridades.
A questão que permanece aberta é outra: qual é a natureza da relação entre o secretário e os responsáveis pela aeronave e por que ele estava desembarcando daquele avião no feriado de 7 de Setembro?
Essa resposta precisa vir dos envolvidos.
Governo de Riedel precisa esclarecer o episódio
O caso ganhou dimensão política justamente porque Rodrigo Perez ocupa uma posição estratégica dentro do Governo de Mato Grosso do Sul e é considerado um dos principais integrantes da equipe do governador Eduardo Riedel.
O episódio também ocorre durante a disputa eleitoral de 2026, o que aumenta a repercussão política das imagens.
De um lado, Catan levou o caso à tribuna da Assembleia e cobrou uma explicação diretamente do governo. De outro, Fábio Trad recorreu à Polícia Federal e pediu providências para preservar as imagens e esclarecer a identidade e a eventual condição funcional do homem que aparece acompanhando o secretário.
A Polícia Federal deverá avaliar os pedidos apresentados pelos candidatos e decidir sobre as providências cabíveis.
A Folha Publicitária deixa espaço aberto para manifestação do Governo de Mato Grosso do Sul, da Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica e do secretário Rodrigo Perez sobre todos os questionamentos apresentados nesta reportagem.



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