Manifestação convocada pelo candidato do PL à Presidência teve símbolos dos Estados Unidos, cartazes em inglês e representação de Donald Trump segurando caricatura de Lula vestido de presidiário
O ato político convocado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, neste 7 de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo, chamou atenção por uma cena que contrasta com o simbolismo da data dedicada à Independência do Brasil: a presença de bandeiras dos Estados Unidos e de uma série de referências ao presidente norte-americano Donald Trump.

Entre os elementos que mais chamaram atenção estava um boneco inflável gigante representando Trump segurando uma caricatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestido com roupas de presidiário, em uma versão do chamado “pixuleco”.
A imagem rapidamente ganhou destaque nas redes sociais e na cobertura do ato. Bandeiras dos Estados Unidos também foram vistas entre os participantes, acompanhadas de mensagens e cartazes em inglês.
A cena chama atenção justamente porque a manifestação ocorreu em uma das principais datas cívicas do calendário brasileiro. O 7 de Setembro marca a Independência do Brasil e, tradicionalmente, é associado à exaltação dos símbolos nacionais, especialmente a bandeira brasileira.
No ato liderado por Flávio Bolsonaro, entretanto, símbolos de outro país ocuparam espaço de destaque entre os manifestantes.
Trump como símbolo político
A presença do ex-presidente e atual presidente dos Estados Unidos Donald Trump não parece ter sido um elemento casual da manifestação. Sua imagem tem sido incorporada ao discurso de setores da direita brasileira, especialmente entre grupos alinhados ao bolsonarismo.
No boneco levado para a Avenida Paulista, Trump aparece em posição de superioridade, carregando uma representação de Lula. A escolha do símbolo transforma uma disputa política brasileira em uma espécie de representação visual da aliança entre o bolsonarismo e o trumpismo.
O episódio também reacende uma discussão que acompanha a direita brasileira nos últimos anos: até que ponto a defesa de valores considerados “patrióticos” convive com a admiração e a adoção de símbolos políticos estrangeiros?
A pergunta ganha ainda mais força quando essas manifestações acontecem justamente no Dia da Independência.
Bandeiras brasileiras dividem espaço com as americanas
Registros da manifestação mostram que as bandeiras brasileiras estiveram presentes, mas também dividiram espaço com bandeiras dos Estados Unidos e outras referências internacionais.
A presença americana não se limitou a uma única faixa ou participante. Ela apareceu em diferentes pontos da manifestação e ganhou destaque justamente pela dimensão simbólica do 7 de Setembro.
Para um movimento político que frequentemente utiliza o discurso do patriotismo e da defesa da soberania nacional, a cena produz um contraste que dificilmente passa despercebido.
A questão, portanto, não é simplesmente a existência de uma bandeira americana em uma manifestação política. O que chama atenção é a dimensão que símbolos e personagens da política dos Estados Unidos assumiram em um ato realizado no Brasil, no dia dedicado à Independência brasileira.
Mobilização também ficou abaixo de anos anteriores
Além das imagens que marcaram o ato, a manifestação deste ano também apresentou uma mobilização inferior à registrada em edições anteriores.
Levantamento do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap apontou pico de 28,5 mil pessoas na manifestação. O número ficou abaixo dos 42,2 mil participantes registrados em 2025 e dos 45,4 mil contabilizados em 2024.
O cenário representa outro ponto de atenção para Flávio Bolsonaro, que tenta consolidar seu nome como principal candidato do campo bolsonarista à Presidência da República.
Em um 7 de Setembro marcado por discursos em defesa do patriotismo, a imagem que acabou ganhando força foi a de Donald Trump — presidente dos Estados Unidos — ocupando lugar de destaque em uma manifestação política brasileira.
Mais do que uma bandeira ou um boneco, o episódio expõe uma contradição que promete alimentar o debate eleitoral: quando o patriotismo é usado como discurso político, até onde vai a defesa do Brasil e onde começa a admiração por projetos políticos estrangeiros?



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