Governador já faltou a dois confrontos, enquanto candidatos do PL ao Senado não participaram de debate realizado pelo g1
A campanha eleitoral de 2026 em Mato Grosso do Sul começa a apresentar um comportamento que chama a atenção: candidatos que aparecem entre os primeiros colocados nas pesquisas têm deixado de participar de alguns dos principais debates promovidos durante a disputa.

No caso do Governo do Estado, o governador e candidato à reeleição Eduardo Riedel (PP) já esteve ausente de dois debates realizados durante a campanha. No Senado, os candidatos do PL Reinaldo Azambuja e Capitão Contar não participaram do debate promovido pelo g1 em 4 de setembro, que reuniu outros candidatos à disputa pelas duas vagas em jogo.
As ausências acontecem justamente quando os três nomes ocupam posições de destaque nas pesquisas eleitorais. Reinaldo Azambuja aparece na liderança da corrida ao Senado em levantamentos recentes, enquanto Capitão Contar está entre os principais nomes na disputa pela segunda vaga. Na eleição para o Governo, Riedel também aparece na frente dos adversários em diferentes pesquisas.
O debate que ficou sem os líderes
O episódio mais recente ocorreu nesta sexta-feira (4), quando o g1 promoveu um debate com candidatos ao Senado por Mato Grosso do Sul. Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL, não participaram do encontro. Com a ausência dos dois candidatos, os demais postulantes ocuparam o espaço de confronto e apresentaram suas propostas ao eleitor.
A situação chama atenção porque a eleição para o Senado terá uma característica diferente: cada eleitor poderá votar em dois candidatos. Nesse cenário, os debates ganham importância para que o eleitor possa comparar nomes, trajetórias e propostas, especialmente em uma disputa na qual diferentes candidatos estão tentando conquistar uma das duas vagas.
A estratégia de quem está na frente
A ausência dos líderes pode ser analisada também sob a perspectiva da estratégia eleitoral. Para quem está atrás nas pesquisas, o debate pode representar uma oportunidade de conquistar exposição, atacar adversários e tentar modificar o cenário eleitoral.
Para quem está na liderança, entretanto, a lógica pode ser diferente. Participar de um debate significa abrir mão do controle absoluto sobre a própria narrativa e aceitar o confronto direto com adversários. Uma resposta considerada ruim, uma contradição ou uma declaração que repercuta negativamente pode transformar uma participação de poucos minutos em um problema para a campanha.
Nesse cálculo, o candidato que lidera pode entender que não precisa necessariamente ganhar o debate, mas apenas evitar um episódio capaz de reduzir sua vantagem. É uma estratégia conhecida no ambiente eleitoral: quanto maior a vantagem, maior pode ser o incentivo para preservar o cenário em vez de correr riscos para tentar ampliá-lo.
Mas existe o outro lado, ao não comparecer, o candidato também entrega o espaço aos adversários. Quem ganha com a ausência?
Quando um dos líderes não participa, os candidatos presentes passam a ter mais tempo de exposição e podem apresentar suas propostas, fazer críticas e ocupar o espaço que seria destinado ao confronto com o principal adversário.
Foi o que ocorreu no debate do Senado de 4 de setembro. Com Azambuja e Contar fora do confronto, Vander Loubet e Soraya Thronicke, entre outros candidatos, tiveram a oportunidade de disputar o espaço político e apresentar suas posições aos eleitores.
A questão, portanto, não é apenas se a ausência prejudica o candidato que faltou. É também saber quem se beneficia politicamente quando um líder decide não participar.
E quando o candidato escolhe quais debates participar?
No caso de Eduardo Riedel, a discussão ganha um elemento adicional. Embora tenha faltado a debates durante a campanha, o governador confirmou participação em outro confronto eleitoral marcado para setembro.
Isso abre espaço para uma pergunta objetiva às campanhas:
Qual é o critério utilizado para decidir quais debates o candidato participa?
A mesma pergunta deve ser feita a Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.
O eleitor no centro da discussão
Debates eleitorais não são obrigatórios em todas as circunstâncias. As emissoras e os candidatos estabelecem regras para participação, e as campanhas possuem compromissos e agendas próprias.
Mas existe uma discussão legítima sobre o papel desses confrontos durante uma eleição. O eleitor recebe diariamente propaganda produzida pelas campanhas, com mensagens cuidadosamente planejadas e controladas pelos próprios candidatos.
O debate oferece uma situação diferente: o candidato precisa responder aos adversários em tempo real, explicar suas posições e reagir a questionamentos que nem sempre consegue controlar.
Por isso, a ausência de candidatos competitivos pode produzir uma consequência prática para o eleitor: reduzir as oportunidades de confronto direto entre os nomes que disputam o voto.
A pergunta que fica é simples:
Quem lidera as pesquisas pode se dar ao luxo de não debater?
A resposta pode estar no cálculo eleitoral. Mas também cabe ao eleitor avaliar se a ausência representa apenas uma estratégia legítima de campanha ou se gostaria de ver seus candidatos enfrentando os adversários diretamente antes de pedir seu voto.




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