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Ligado aos Bolsonaro, marqueteiro argentino é preso na Bolívia em investigação sobre tentativa de feminicídio
Ligado aos Bolsonaro, marqueteiro argentino é preso na Bolívia em investigação sobre tentativa de feminicídio

Fernando Cerimedo ganhou projeção entre apoiadores de Jair Bolsonaro após divulgar alegações falsas sobre as urnas brasileiras; agora, está em prisão preventiva na Bolívia enquanto a Justiça investiga um ataque contra sua ex-companheira

O marqueteiro político e influenciador argentino Fernando Cerimedo está em prisão preventiva na Bolívia enquanto é investigado por uma suposta tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira, a advogada e analista política boliviana Nadia Beller.

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Cerimedo foi detido no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, no dia 18 de agosto, quando se preparava para embarcar para Buenos Aires. A prisão ocorreu após Beller ser atingida por três disparos durante um ataque que, segundo as investigações, teria sido executado por homens disfarçados de entregadores. Ela sobreviveu e foi hospitalizada.

A Justiça boliviana determinou posteriormente a prisão preventiva de Cerimedo por 180 dias. A decisão ocorreu em meio à investigação sobre a possível participação do argentino no ataque. A defesa nega as acusações e sustenta que ele não teve envolvimento no atentado.

Ataque contra a ex-companheira

Segundo as informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa boliviana, Beller foi atraída para um encontro em Santa Cruz de la Sierra antes de ser surpreendida pelos atiradores. Imagens de segurança teriam registrado a ação.

Os suspeitos usavam roupas semelhantes às de entregadores e fugiram em uma motocicleta. Beller foi atingida por três tiros, mas conseguiu sobreviver ao ataque.

A investigação passou a concentrar-se também na relação entre Cerimedo e a vítima. A perícia realizada no telefone do argentino teria encontrado mensagens consideradas comprometedoras pelos investigadores, incluindo conversas que apontariam para uma possível coordenação do ataque. Essas informações fazem parte da investigação e ainda serão submetidas ao processo judicial.

A defesa de Cerimedo contesta as acusações e afirma que o processo possui motivação política. Portanto, a eventual responsabilidade criminal do argentino ainda depende do avanço das investigações e das decisões da Justiça boliviana.

Quem é Fernando Cerimedo

A prisão de Cerimedo ganhou repercussão internacional também por causa de sua trajetória política na América Latina. O argentino se tornou conhecido no Brasil por sua atuação junto ao campo político ligado à família Bolsonaro. Ele manteve relações com Eduardo Bolsonaro e ganhou notoriedade em 2022 após participar de uma transmissão na qual apresentou alegações falsas e já contestadas sobre o funcionamento das urnas eletrônicas brasileiras.

Em novembro daquele ano, após a derrota de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva, Cerimedo divulgou um material que tentava questionar a confiabilidade dos resultados eleitorais brasileiros. As alegações foram classificadas como falsas e desinformativas.

A relação com Eduardo Bolsonaro continuou nos anos seguintes. Em julho de 2026, os dois voltaram a aparecer juntos em uma transmissão na internet na qual foram levantados novamente questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro.

Investigado no Brasil

Além da atuação política e digital, Cerimedo também entrou no radar das autoridades brasileiras. Em 2024, ele foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito que investigou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo informações divulgadas à época, o argentino foi investigado por sua atuação na disseminação de conteúdos relacionados às urnas e ao resultado eleitoral.

É importante destacar, porém, que indiciamento não significa condenação. Cerimedo não foi incluído na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República no processo que chegou ao Supremo Tribunal Federal.

Da política digital à prisão na Bolívia

Cerimedo construiu carreira como estrategista de comunicação política e atuou junto a nomes da direita latino-americana, incluindo Jair Bolsonaro e Javier Milei. Também passou a atuar na Bolívia como consultor ligado ao governo do presidente Rodrigo Paz.

Agora, o argentino está no centro de uma investigação criminal na Bolívia que envolve um ataque armado contra sua ex-companheira.

Além da acusação de tentativa de feminicídio, autoridades bolivianas abriram outras frentes de investigação envolvendo Cerimedo, incluindo suspeitas relacionadas a enriquecimento ilícito. Segundo o El País, foram encontrados mais de US$ 40 mil em uma propriedade ligada ao consultor, além de equipamentos que também passaram a ser analisados pelas autoridades. A defesa contesta as acusações.

O caso ainda está em investigação e a Justiça boliviana deverá determinar, ao longo do processo, se as evidências reunidas são suficientes para responsabilizar criminalmente Cerimedo pelo ataque.

A prisão, entretanto, coloca novamente sob os holofotes um personagem que já havia ocupado espaço no cenário político brasileiro por sua proximidade com integrantes da família Bolsonaro e por sua atuação na disseminação de questionamentos sobre o sistema eleitoral.

A Folha Publicitária acompanha o caso e atualizará os leitores conforme novas informações forem confirmadas pelas autoridades bolivianas e pela defesa de Fernando Cerimedo.

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