Benefício criado em 2013 permanece no mesmo valor; reivindicação voltou ao debate político após fala de Riedel e críticas de candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul
O auxílio-alimentação de R$ 100 pago aos cabos e soldados da ativa da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul segue entre as reivindicações apresentadas por integrantes da categoria e ganhou novo espaço no debate político durante o período eleitoral de 2026.

O benefício foi estabelecido pela Lei Complementar nº 176, de 27 de maio de 2013, que acrescentou à legislação estadual o pagamento mensal de R$ 100. A mesma norma determina que cabe ao chefe do Poder Executivo estabelecer normas, critérios e percentuais de reajuste para o pagamento das verbas previstas na legislação.
Mais de uma década depois, o valor nominal continua em R$ 100.
Considerando, apenas como referência, uma rotina de 15 plantões mensais, a quantia representa aproximadamente R$ 6,67 por turno de serviço. O benefício, porém, é pago mensalmente, e não por plantão.
Reivindicação ganhou espaço durante a campanha
Embora a discussão sobre a atualização do auxílio não seja nova, o tema ganhou força no cenário eleitoral deste ano. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul Fábio Trad (PT) levou o valor do auxílio para o debate eleitoral e criticou o fato de os policiais militares receberem R$ 100 mensais. Trad afirmou que o benefício está congelado desde 2013 e questionou se o valor seria compatível com a valorização dos profissionais que atuam na segurança pública.
A manifestação colocou novamente em evidência uma reivindicação que já vinha sendo apresentada por representantes da categoria antes mesmo do período eleitoral.
Uma reportagem publicada em fevereiro de 2026, por exemplo, registrou a cobrança por aumento do auxílio-alimentação e destacou que, para os praças, o benefício permanecia em R$ 100 mensais. Assim, a eleição acabou dando uma dimensão política maior a uma demanda que já estava em discussão entre os policiais.
O que Riedel disse sobre o auxílio?
Em 23 de abril de 2026, durante a tradicional entrega da Medalha Tiradentes, realizada no Comando-Geral da Polícia Militar, o governador Eduardo Riedel foi questionado por jornalistas sobre um possível reajuste do auxílio-alimentação.
Na ocasião, Riedel afirmou que os policiais “não querem vale-alimentação”, mas “remuneração justa”.
A declaração precisa ser compreendida dentro desse contexto.
O governador não afirmou que os R$ 100 são suficientes ou que considera justo o atual valor do auxílio. A fala apresentada por Riedel foi de que, na sua avaliação, a reivindicação dos policiais seria mais ampla e estaria relacionada à remuneração dos profissionais como um todo.
Ao mesmo tempo, o auxílio-alimentação continua aparecendo entre as reivindicações da categoria e é justamente nesse ponto que o assunto permanece em aberto.
Benefício continua em R$ 100
A legislação estadual é clara ao estabelecer o auxílio-alimentação mensal de R$ 100 para cabos e soldados da ativa. Também prevê que o Poder Executivo estabeleça critérios e percentuais de reajuste para as verbas previstas na norma.
Isso não significa que exista obrigação automática de reajuste anual ou que a ausência de aumento represente, por si só, uma irregularidade. O ponto da discussão é outro: o benefício continua no mesmo valor nominal desde 2013, enquanto policiais e representantes da categoria reivindicam sua atualização.
E, em 2026, essa discussão passou a ocupar também o espaço eleitoral.
R$ 100 representam quanto na prática?
A conta de R$ 6,67 por plantão é uma maneira simples de dimensionar o benefício.
Se um policial realizar 15 plantões em um mês, dividir os R$ 100 por essas jornadas resulta em aproximadamente R$ 6,67 por serviço.
É apenas uma referência matemática, já que o auxílio não é calculado dessa forma. Ainda assim, o número ajuda a visualizar o tamanho do benefício diante da rotina de quem trabalha em escalas.
A discussão sobre o valor também precisa considerar que os R$ 100 estabelecidos em 2013 são um valor nominal. Ao longo de mais de uma década, mudanças nos preços dos alimentos e no custo de vida alteraram o poder de compra da moeda.
Uma cobrança que atravessa diferentes governos
O fato de o benefício ter sido criado em 2013 é importante para evitar uma interpretação equivocada: o valor de R$ 100 não foi estabelecido pelo atual governador Eduardo Riedel.
Por outro lado, o benefício permanece nesse patamar durante a atual gestão, e a discussão sobre uma eventual atualização passa a fazer parte do debate sobre as políticas de valorização dos policiais no atual governo.
É justamente essa diferença que coloca o assunto no debate eleitoral de 2026.
Enquanto Riedel afirma que os policiais buscam uma “remuneração justa”, candidatos de oposição utilizam o auxílio de R$ 100 como exemplo para questionar se a política atual de valorização da segurança pública acompanha as reivindicações da categoria.
O que pode mudar daqui para frente?
Com o tema ganhando espaço durante a campanha eleitoral, a discussão passa a envolver não apenas o valor atual do benefício, mas também as propostas dos candidatos para a segurança pública e para a remuneração dos policiais militares.
Entre as questões que permanecem abertas estão:
existe algum estudo do Governo do Estado para atualizar o auxílio-alimentação?
qual seria o impacto financeiro de um eventual reajuste?
os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul pretendem propor uma nova política para o benefício?
Por enquanto, o dado objetivo permanece: o auxílio-alimentação dos cabos e soldados da ativa da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul continua em R$ 100 mensais, valor estabelecido em 2013.
O que mudou em 2026 foi o espaço que essa reivindicação passou a ocupar no debate eleitoral.
E, diante das diferentes posições apresentadas durante a campanha, uma pergunta começa a ganhar força entre os policiais e também entre os eleitores: qual será a proposta para atualizar o auxílio-alimentação e ampliar a valorização dos profissionais que atuam na segurança pública de Mato Grosso do Sul?



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