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Pollon aparece como único deputado de MS contra redução de impostos sobre combustíveis, mas pede correção do voto Deputado federal Marcos Pollon com o senador Flávio Bolsonaro
Pollon aparece como único deputado de MS contra redução de impostos sobre combustíveis, mas pede correção do voto

Deputado do PL foi registrado inicialmente como contrário ao projeto aprovado pelo Congresso e, após a repercussão, afirmou que votou errado durante participação remota na sessão

O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) apareceu inicialmente como o único integrante da bancada de Mato Grosso do Sul a votar contra o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, aprovado pelo Congresso Nacional com medidas para reduzir a carga tributária sobre combustíveis. Após a repercussão do resultado, porém, o parlamentar afirmou que houve um erro no registro e solicitou a retificação do voto para “sim”.

Na votação da Câmara dos Deputados, o projeto recebeu 318 votos favoráveis, 113 contrários e uma abstenção. Entre os deputados federais de Mato Grosso do Sul, o painel inicialmente registrou Pollon como contrário, enquanto Rodolfo Nogueira (PL), Dagoberto Nogueira (PP), Luiz Ovando (PP), Camila Jara (PT), Vander Loubet (PT), Beto Pereira (Republicanos) e Geraldo Resende (União) votaram favoravelmente.

No Senado, a proposta também foi aprovada por ampla maioria, com 61 votos favoráveis e apenas dois contrários. Os senadores de Mato Grosso do Sul Nelsinho Trad (PSD), Soraya Thronicke (PSB) e Tereza Cristina (PP) votaram a favor.

Pollon diz que votou errado

Após a repercussão, Pollon afirmou que participou da sessão remotamente, pelo aplicativo da Câmara, e que acabou registrando o voto de forma equivocada.

Segundo nota divulgada pela assessoria, o deputado solicitou a correção por meio de declaração escrita de voto, passando a constar como favorável ao mérito do PLP 114/2026.

A justificativa apresentada pelo parlamentar foi de que seu posicionamento político é favorável à redução da carga tributária.

“Sou contra o imposto. Sou um dos únicos deputados na história do Brasil que fala abertamente que imposto é roubo. Sempre vou votar pela redução da carga tributária desse País”, afirmou Pollon.

A declaração foi feita depois que o registro inicial do voto chamou atenção justamente por colocá-lo isoladamente em posição contrária entre os deputados de Mato Grosso do Sul.

O que prevê o projeto

O PLP 114/2026 estabelece mecanismos para reduzir tributos federais incidentes sobre combustíveis como diesel, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação, em uma tentativa de diminuir os efeitos da alta internacional do petróleo.

O texto, porém, foi ampliado durante a tramitação e passou a reunir uma série de outras medidas tributárias e fiscais.

Entre elas estão benefícios para produtores de etanol, possibilidade de compensação de débitos tributários, incentivos relacionados à produção de fertilizantes, matérias-primas, remineralizadores e bioinsumos, além de medidas envolvendo minerais críticos e terras raras.

O projeto também prevê até R$ 1,2 bilhão em subvenções para produtores de etanol hidratado e autoriza mecanismos de compensação tributária que podem alcançar R$ 750 milhões para produtores do setor.

Na área de fertilizantes, o texto permite a concessão de até R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2027 e 2031, além de outras medidas de incentivo.

Projeto também mexe com despesas públicas

Além dos incentivos tributários, o texto aprovado contém dispositivos relacionados às despesas da União.

Entre as medidas está a autorização para ampliar em até R$ 2,5 bilhões as despesas do Ministério da Defesa fora dos limites de gastos, com compensação em orçamentos futuros da pasta.

Também foi incluída a possibilidade de antecipação de até R$ 3 bilhões em despesas temporárias de saúde e educação que estavam previstas para 2027.

O texto ainda estabelece mecanismos de contenção para determinadas despesas caso os relatórios fiscais indiquem previsão de déficit.

Receita maior do petróleo entra na conta

A proposta utiliza como uma das justificativas para a compensação das medidas o aumento extraordinário da arrecadação relacionada ao petróleo.

Dados apresentados na tramitação do projeto apontam que a arrecadação federal vinculada ao setor chegou a aproximadamente R$ 28,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, ante cerca de R$ 9,2 bilhões no mesmo período do ano anterior.

A lógica apresentada é utilizar parte do aumento extraordinário das receitas para compensar as medidas de redução ou incentivo tributário previstas no projeto.

O episódio envolvendo Pollon

Com a solicitação de retificação, o registro inicial de Pollon como contrário deixa de representar, segundo a própria justificativa do deputado, seu posicionamento definitivo sobre a proposta.

O episódio, entretanto, colocou o parlamentar no centro da votação em Mato Grosso do Sul: por algumas horas, Pollon apareceu oficialmente como o único deputado da bancada estadual a votar contra uma proposta que tinha entre seus principais objetivos a redução da carga tributária sobre combustíveis.

Depois da repercussão, o deputado afirmou que o voto contrário foi resultado de um erro durante a participação remota e pediu que o registro fosse alterado para “sim”.

A tramitação do projeto agora segue para a etapa de sanção presidencial.

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