Novo presidente de direita também defende redução do tamanho do Estado, maior exploração de petróleo e gás e aproximação com os Estados Unidos
Abelardo de la Espriella assumiu a Presidência da Colômbia nesta sexta-feira (7) com a promessa de promover uma forte mudança na política econômica e de segurança do país. O advogado e empresário de 48 anos chega ao Palácio de Nariño após derrotar Iván Cepeda por uma margem inferior a 1% dos votos e sucede Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história colombiana.
A posse ocorreu em Cali, terceira maior cidade do país e uma das regiões afetadas pela atuação de grupos armados. Em vez de realizar a cerimônia em Bogotá, como tradicionalmente ocorre, De la Espriella escolheu a cidade para marcar o início de seu governo com uma mensagem voltada à segurança e ao combate ao crime organizado.
Durante o discurso, o novo presidente afirmou que pretende enfrentar “sem tréguas” o narcoterrorismo e sinalizou o fim da estratégia de negociação adotada pelo governo Petro com grupos armados.
Segundo De la Espriella, os integrantes de organizações criminosas terão duas alternativas: submeter-se à legislação ou enfrentar a força do Estado.
Mudança também na economia
Na área econômica, uma das principais promessas do novo governo é o congelamento dos gastos públicos. De la Espriella também defende a redução do tamanho do Estado e a diminuição da carga tributária.
A proposta, entretanto, já provoca debate político no país. Durante a transição, aliados de Gustavo Petro criticaram a possibilidade de redução de impostos e alertaram para os efeitos que uma política de contenção de despesas poderia provocar sobre áreas como saúde, educação e previdência.
A equipe econômica do novo governo afirma que pretende revisar contratos, despesas públicas e benefícios antes de liberar novos recursos, em uma tentativa de ampliar o controle sobre as contas do país.
Mais força contra guerrilhas e narcotráfico
Na segurança pública, De la Espriella promete uma ruptura com a política de diálogo adotada pelo antecessor.
O presidente também defende a intensificação das operações contra grupos armados e o combate às plantações de coca, principal matéria-prima utilizada na produção de cocaína. A Colômbia permanece como o maior produtor mundial da droga.
Entre as propostas apresentadas pelo novo governo estão ainda a construção de grandes complexos penitenciários, inspirados no modelo adotado por El Salvador, e o fortalecimento das ações militares contra organizações criminosas.
A estratégia, porém, enfrenta desafios. Analistas apontam limitações de efetivo e equipamentos das Forças Armadas colombianas e alertam para o risco de vítimas civis em operações realizadas em regiões onde grupos armados estão profundamente inseridos nas comunidades.
Aproximação com Trump e Estados Unidos
A mudança de governo também deve alterar a relação da Colômbia com Washington.
De la Espriella mantém proximidade política com o presidente norte-americano Donald Trump e sinaliza uma aproximação maior entre os dois países, especialmente nas áreas de segurança e combate ao narcotráfico.
Uma das propostas apresentadas pelo novo presidente é a entrada da Colômbia no chamado “Escudo das Américas”, iniciativa liderada pelos Estados Unidos para ampliar a cooperação regional contra o tráfico de drogas.
A relação entre Bogotá e Washington havia enfrentado momentos de tensão durante o governo Petro.
Petróleo e fracking
Na área energética, De la Espriella também pretende alterar a política adotada pelo governo anterior.
O novo presidente defende a ampliação da exploração de petróleo e gás e sinaliza a autorização do fraturamento hidráulico, conhecido como fracking, uma técnica que enfrenta resistência de setores ambientais.
A medida representa outra mudança importante em relação à agenda de Petro, que adotou uma postura mais crítica em relação aos combustíveis fósseis.
Uma guinada à direita
A chegada de De la Espriella representa uma mudança significativa no cenário político colombiano.
Depois de quatro anos de um governo de esquerda liderado por Gustavo Petro, a Colômbia passa agora a ser comandada por um político identificado com a direita e que construiu sua campanha em torno de pautas como segurança, redução do Estado, combate ao narcotráfico e aproximação com os Estados Unidos.
O novo presidente, entretanto, terá de governar diante de um Parlamento dividido, o que pode dificultar a aprovação de parte de sua agenda.
A margem apertada da eleição também deixa evidente a divisão política do país. A disputa presidencial terminou com diferença inferior a um ponto percentual, mostrando que a guinada política promovida nas urnas não encerrou a polarização colombiana.
Com mandato de quatro anos pela frente, De la Espriella começa o governo prometendo uma mudança profunda na política econômica, na segurança e na relação da Colômbia com os Estados Unidos.




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