Ministro Gilmar Mendes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República; deputado Alfredo Gaspar nega as acusações, afirma que exame de DNA comprova não ser pai da criança e processa a senadora por calúnia e injúria
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), passou a ser alvo de um pedido de apuração no Supremo Tribunal Federal (STF) após acusações apresentadas pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).

O caso tramita no STF, onde o ministro Gilmar Mendes determinou o envio dos autos à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação sobre o pedido de apuração.
Segundo Soraya Thronicke e Lindbergh Farias, eles receberam documentos, registros e conversas que apontariam a suposta prática de estupro de vulnerável envolvendo uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado em decorrência da violência. Atualmente, a jovem tem 21 anos e a criança, 8 anos.
Os parlamentares afirmam ainda ter recebido informações de que teria havido uma negociação para evitar que o caso fosse levado às autoridades. Conforme o relato apresentado por eles, a suposta tratativa envolveria o pagamento de R$ 470 mil para impedir a divulgação dos fatos.
As acusações foram apresentadas durante os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e motivaram o encaminhamento do caso para apuração pelas autoridades competentes.
Defesa
Alfredo Gaspar nega as acusações. Após a repercussão do caso, o deputado afirmou que a criança mencionada seria filha de uma prima de sua família e apresentou um exame de DNA que, segundo sua defesa, comprova que ele não é o pai.
Posteriormente, por determinação judicial, Gaspar também realizou nova coleta de material biológico para exame de DNA no Laboratório de Genética Forense, em Maceió (AL).
O parlamentar ainda ingressou no STF com uma queixa-crime contra Soraya Thronicke pelos crimes de calúnia e injúria, sustentando que as acusações são falsas.
Em manifestação apresentada ao Supremo, Soraya afirmou que suas declarações estão protegidas pela imunidade parlamentar e foi representada pela Advocacia do Senado Federal. Procurada, a assessoria da senadora informou que ela não comentaria a escolha de Alfredo Gaspar para compor a chapa presidencial.
Alfredo Gaspar ganhou projeção nacional ao atuar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e foi escolhido por Flávio Bolsonaro para disputar a vice-presidência da República.
Antes da definição, a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP-MS) chegou a ser apontada como uma das principais opções para integrar a chapa presidencial. Ela chegou a aceitar o convite feito pelo PL, mas a indicação acabou sendo vetada pela Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil.
Até o momento, não há decisão judicial sobre eventual denúncia ou responsabilização criminal de Alfredo Gaspar. O caso permanece em fase de análise pelas autoridades competentes.


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