Vereadores denunciaram redução dos repasses estaduais para a saúde, cobraram a recomposição dos recursos e questionaram as prioridades do Governo de Mato Grosso do Sul diante da política de incentivos fiscais concedidos a grandes empresas
A redução de mais de R$ 400 mil mensais nos repasses destinados ao Hospital Regional de Coxim dominou os debates da sessão ordinária da Câmara Municipal nesta terça-feira. Durante a sessão, vereadores cobraram providências do Governo de Mato Grosso do Sul, afirmando que a redução dos recursos já compromete o atendimento prestado à população de Coxim e de toda a região norte do Estado.

O primeiro a abordar o assunto foi o vereador Abílio Vaneli, que fez questão de afirmar que, em sua avaliação, a responsabilidade pela situação não recai sobre a Secretaria Municipal de Saúde nem sobre a direção do Hospital Regional.
"O problema não é da Secretaria Municipal, não é problema da diretoria do hospital. O hospital está com desfalque orçamentário de mais de R$ 400 mil por mês, e esse corte foi feito pelo Governo do Estado", afirmou.
Segundo o parlamentar, a unidade hospitalar atende pacientes de diversos municípios da região e não pode continuar sofrendo com a redução dos repasses estaduais.
"É preciso devolver o repasse do Hospital Regional de Coxim. Aqui atende uma região inteira. Esse recurso foi tirado a título de redistribuição, mas está faltando para o povo da nossa região", declarou.
Abílio também lembrou que a saúde da unidade já enfrentava dificuldades anteriormente. Segundo ele, meses atrás foi necessária a intervenção do deputado estadual Júnior Mochi para buscar uma solução para o setor de ortopedia, que estaria sem receber recursos havia mais de dois anos.
"O Hospital Regional de Coxim é um dos que mais realiza cirurgias ortopédicas no interior do Estado. É preciso olhar com mais responsabilidade para a saúde do Hospital Regional de Coxim", reforçou.
Na sequência, o vereador Batista Pescador ampliou as críticas e relacionou a redução dos investimentos na saúde à política econômica adotada pelo Governo do Estado.
"O corte de R$ 400 mil não é do Governo Federal, não é do município. É do Governo do Estado", afirmou.
Em seu pronunciamento, Batista criticou a política de incentivos fiscais concedidos pelo Estado a grandes empresas e defendeu que o Governo deveria priorizar investimentos em áreas essenciais.
"Eles sempre preferiram dar isenção fiscal aos bilionários e aos milionários. Abrem mão de arrecadação para os ricos e prejudicam os menos favorecidos, que dependem da saúde pública", declarou.
O vereador afirmou ainda que a redução dos recursos agrava um sistema de saúde que já enfrenta dificuldades para atender a população.
"A nossa saúde já não é das boas. E com menos R$ 400 mil fica difícil. Quem sofre é o povo do andar de baixo", disse, encerrando o discurso com um repúdio à decisão e colocando-se à disposição para buscar uma solução.
Já o vereador Luiz Eduardo informou que entrou em contato com o deputado estadual Júnior Mochi durante a própria sessão da Câmara. Segundo ele, o parlamentar se comprometeu a intermediar uma reunião com o secretário estadual de Saúde para discutir a recomposição dos recursos destinados ao Hospital Regional.
Luiz Eduardo afirmou que pretende reunir vereadores, o prefeito, a secretária municipal de Saúde, Fernanda, além de deputados estaduais, entre eles Gerson Claro e Pedro Kemp, para buscar uma solução institucional para o problema.
"A gente só resolve as coisas com diálogo e com ação. Se temos um déficit, precisamos entender o porquê e o que precisa ser feito para que isso seja recomposto", afirmou.
As manifestações dos vereadores evidenciam a preocupação do Legislativo municipal com a redução dos recursos destinados ao Hospital Regional de Coxim, referência para diversos municípios da região norte de Mato Grosso do Sul. Os parlamentares defendem que o Governo do Estado reveja a decisão e restabeleça os repasses, evitando prejuízos ao atendimento da população.
A reportagem deixa aberto o espaço para manifestação do Governo do Estado e da Secretaria de Estado de Saúde sobre as cobranças apresentadas durante a sessão da Câmara Municipal.




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