Relatório preliminar aponta débitos com bancos, fornecedores e encargos trabalhistas; vereadores já discutem possível encerramento do contrato de concessão
A intervenção da Prefeitura de Campo Grande no transporte coletivo já revelou um cenário financeiro preocupante envolvendo o Consórcio Guaicurus. De acordo com informações apresentadas pela junta interventora nesta segunda-feira (6), a concessionária acumula aproximadamente R$ 20,4 milhões em dívidas, entre empréstimos bancários, débitos com fornecedores, financiamentos e encargos trabalhistas.

O levantamento preliminar aponta que a maior parte da dívida está concentrada em instituições financeiras, totalizando R$ 14,8 milhões. Além disso, o consórcio possui cerca de R$ 4,2 milhões em débitos com fornecedores de combustível e peças, R$ 825 mil referentes a parcelas de veículos em atraso e R$ 553 mil em obrigações trabalhistas, incluindo recolhimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Segundo o advogado e interventor Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, os problemas identificados até o momento vão além da situação financeira. O levantamento inicial também apontou dificuldades operacionais e uma frota com veículos acima da idade prevista no contrato de concessão.
Durante a apresentação dos dados, foi informado que mais de 190 ônibus em circulação possuem mais de dez anos de uso, ultrapassando o limite estabelecido contratualmente. A situação levou vereadores a questionarem a fiscalização exercida pelos órgãos reguladores do município.
Diante do diagnóstico preliminar, parlamentares da Câmara Municipal já passaram a discutir a possibilidade de encerramento do contrato entre a Prefeitura de Campo Grande e o Consórcio Guaicurus. O presidente da Casa de Leis, vereador Papy (PSDB), afirmou que a relação entre o município e a concessionária se encontra desgastada.
Em nota, o Consórcio Guaicurus reconheceu que opera em situação de desequilíbrio econômico-financeiro.
A junta interventora informou que novos relatórios parciais deverão ser divulgados ao longo dos próximos 90 dias. Já o relatório conclusivo da intervenção está previsto para dezembro, quando termina o período de intervenção determinado pela Prefeitura de Campo Grande. O documento deverá apresentar um diagnóstico completo da situação financeira, operacional e contratual da concessionária, podendo servir de base para futuras decisões sobre a continuidade ou não da concessão do transporte coletivo na Capital.
Fonte: G1 MS



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