Na política sul-mato-grossense, o pragmatismo eleitoral costuma atropelar qualquer tipo de ideologia, mas alguns movimentos conseguem surpreender até o eleitor mais cético. O caso mais recente envolve o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), que, movido pelo plano de reeleição, resolveu abrir diálogo e buscar alinhamento com Marlão, conhecido expoente da esquerda na região e ex-candidato a prefeito de Rio Brilhante pelo PSOL.

O encontro chama a atenção pela total incoerência de discursos. Rodolfo Nogueira sempre se posicionou como um parlamentar "anti-esquerda" radical. A sua postura “contra a esquerda” beira o ridículo, tanto que, recentemente, ele chegou a levar um "pescotapa" da vereadora Neguinha do PT durante um evento público, após proferir duras críticas ao presidente Lula.
A "Cara de Pau" da Conveniência Política
A aproximação com Marlão expõe o que críticos e eleitores estão chamando de pura "cara de pau". Marlão carrega a carteira de identidade da esquerda raiz: defende as pautas tradicionais do PSOL, partido historicamente alinhado ao socialismo, à estatização da economia, à desmilitarização e a pautas progressistas que batem de frente com tudo o que a direita conservadora prega.
Ver um deputado que se diz "raiz" na direita apertar as mãos de um psolista escancara que, na hora de garantir votos e sobrevivência política, o discurso conservador é deixado na gaveta.
Bolsonaro não ficaria nada feliz
O movimento de Rodolfo Nogueira deve repercutir muito mal entre os eleitores fiéis da direita em Mato Grosso do Sul. Afinal, o ex-presidente Jair Bolsonaro sempre cobrou fidelidade ideológica absoluta e repúdio total aos partidos de esquerda — especialmente o PSOL, linha de frente na oposição ao bolsonarismo.
Resta saber como o eleitor conservador de Mato Grosso do Sul vai reagir ao ver que o discurso contra o socialismo, no fundo, parece ceder espaço quando o assunto é o cálculo das urnas.
Fonte: Renata Freitas / PG News


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