Enquanto população enfrenta falta de medicamentos, demora em consultas e dificuldades no atendimento, pedido de CPI segue sem apoio suficiente para sair do papel
A proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a situação da saúde pública de Campo Grande continua enfrentando resistência na Câmara Municipal. Mesmo diante de reclamações recorrentes da população sobre a falta de medicamentos, demora na realização de exames, consultas especializadas e cirurgias, o requerimento ainda não reuniu o número necessário de assinaturas para ser instalado.

Até o momento, apenas oito vereadores manifestaram apoio ao pedido de investigação. São eles: Jean Ferreira (PT), autor do requerimento, Luiza Ribeiro (PT), Landmark Rios (PT), André Salineiro (PL), Fábio Rocha (União Brasil), Flávio Cabo Almi (PSDB), Maicon Nogueira (PP) e Marquinhos Trad (PV).
Para que a CPI seja instaurada, são necessárias pelo menos dez assinaturas dos 29 vereadores que compõem a Casa de Leis. Com isso, o pedido permanece parado, dependendo da adesão de mais parlamentares.
A situação tem gerado questionamentos sobre o papel fiscalizador do Legislativo municipal. A CPI é um dos principais instrumentos previstos para que vereadores possam investigar fatos determinados, convocar autoridades, solicitar documentos e produzir relatórios sobre possíveis falhas na administração pública.
Entre os argumentos apresentados pelos vereadores que ainda não aderiram ao requerimento está o fato de que órgãos como o Ministério Público e os tribunais de controle já acompanham denúncias relacionadas à área da saúde. Para esse grupo, uma CPI poderia resultar em sobreposição de investigações já existentes.
Por outro lado, defensores da comissão sustentam que a atuação dos órgãos de controle não substitui a responsabilidade constitucional da Câmara Municipal de fiscalizar o Poder Executivo. Segundo essa avaliação, a instalação da CPI permitiria maior transparência sobre a aplicação dos recursos públicos e daria respostas à população sobre os problemas enfrentados diariamente nas unidades de saúde da Capital.
A discussão ganha ainda mais relevância diante das constantes reclamações de usuários do sistema público. Falta de medicamentos, demora para realização de procedimentos, filas para consultas especializadas e dificuldades no acesso a exames continuam entre as principais queixas registradas por moradores de diferentes regiões da cidade.
Enquanto o debate político segue dentro da Câmara, a CPI da Saúde permanece sem os apoios necessários para avançar. A situação coloca os vereadores diante de uma cobrança cada vez maior da população: exercer ou não o papel de fiscalização em uma das áreas mais sensíveis da administração pública.
Com apenas duas assinaturas faltando para atingir o número mínimo exigido, a expectativa agora é saber se novos vereadores irão aderir ao requerimento ou se a proposta permanecerá sem força suficiente para sair do papel. A Folha Publicitária seguirá acompanhando e aguardando os próximos desdobramentos.
Confira os vereadores que ainda não assinaram:


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