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Gleice Jane pressiona Prefeitura e cobra solução para construção de escola na região do Jardim Guaicurus em Dourados
Gleice Jane pressiona Prefeitura e cobra solução para construção de escola na região do Jardim Guaicurus em Dourados

Moradores e professores relataram superlotação, longas distâncias e risco de acidentes enfrentados por estudantes que precisam atravessar a BR diariamente

A deputada estadual professora Gleice Jane (PT)  voltou a cobrar do poder público soluções para a falta de escolas estaduais na região do Jardim Guaicurus, em Dourados, durante audiência pública realizada na noite desta quinta-feira (14), no Sindracse (Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias).

Com o tema “Escola perto de casa é direito”, o encontro reuniu comunidade, professores, representantes sindicais e membros da Secretaria de Estado de Educação para discutir a ampliação da rede estadual de ensino na região.

O objetivo, segundo Gleice Jane, é ampliar o debate sobre a responsabilidade do Estado na oferta de vagas e na construção de novas unidades escolares em Dourados, especialmente em bairros que registram crescimento populacional acelerado sem a estrutura pública necessária.

Hoje, toda essa região do Jardim Guaicurus, Esplanada, Vival dos Ipês, Harrisom de Figueiredo, GreenVille e Dioclécio Artuzi, contam com apenas uma escola estadual. A demanda, segundo relatos apresentados durante a audiência, já ultrapassa a capacidade da unidade, obrigando estudantes a atravessarem longas distâncias, inclusive a BR-163, para conseguir estudar em outros bairros.

“Não dá mais para suportar essa realidade. A comunidade já deixou claro que precisa de uma nova escola e que ela precisa estar numa região que realmente atenda quem mora aqui”, afirmou Gleice Jane durante a audiência.

Segundo a deputada, moradores dos bairros Jardim Guaicurus, Esplanada e Vival dos Ipês defendem que a futura escola seja construída em uma área mais próxima da região de maior concentração populacional. Durante as discussões, chegou a ser cogitada a possibilidade de utilização de um terreno próximo ao DOF e à nova delegacia da Polícia Rodoviária Federal, mas nenhuma indicação oficial de área foi feita até o momento ao Governo do Estado.

A principal dificuldade debatida durante o encontro foi justamente a ausência de definição sobre um terreno municipal disponível para a construção da nova escola. O Estado depende que a Prefeitura indique oficialmente a área para que o projeto arquitetônico possa ser elaborado conforme a demanda da região.

“O projeto da escola é feito de forma personalizada, conforme a demanda e a região. Mas para isso existir, primeiro precisa existir o terreno”, explicou o coordenador-geral de Planejamento da Secretaria de Estado de Educação,  Alciley Lopes.

A ausência da Prefeitura de Dourados e da Secretaria Municipal de Educação foi alvo de críticas durante a audiência. Segundo Gleice, ofícios foram enviados, mas não houve retorno nem participação de representantes municipais.

“A gente precisa que o município chame para si essa responsabilidade. Não podemos deixar de construir escolas porque não temos um terreno definido”, disse a parlamentar, que propôs uma nova reunião envolvendo Prefeitura, Câmara Municipal, sindicatos, fóruns da educação e a comissão formada na primeira audiência pública.

Participação Popular

Além da discussão sobre infraestrutura escolar, os relatos da comunidade evidenciaram os impactos da falta de acesso à educação próxima da residência sobre estudantes e professores.

A professora Ana Walkilaine, afirmou que muitos alunos chegam à escola cansados e sem perspectiva devido às longas distâncias percorridas diariamente. “Tem estudante que percorre mais de 20 quilômetros para estudar. Muitos precisam atravessar a BR todos os dias. Como exigir interesse e aprendizado quando o aluno já chega exausto na sala de aula?”, questionou.

Ela também relatou os impactos da superlotação nas salas de aula e disse que a precarização da estrutura compromete diretamente a qualidade do ensino. “Hoje os alunos já chegam desistindo. A educação precisa motivar, mas do jeito que está não existe motivação”, afirmou.

A professora e sindicalista Kenia Silveira Milan, representante do Simted e moradora da região, também relatou as dificuldades enfrentadas diariamente por quem vive nos bairros próximos à rodovia. “Eu atravesso a rodovia todos os dias com risco de vida para trabalhar. Já houve mortes naquela região, inclusive de crianças indo para a escola. Isso é uma necessidade urgente”, declarou.

Ela ainda destacou o impacto da superlotação e da precarização das condições de trabalho sobre a saúde mental dos professores. “Tem dias que eu chego em casa e só quero silêncio. A sobrecarga é enorme. A gente precisa de mais escolas, de acesso seguro e de condições dignas para trabalhar e ensinar”, disse.

Durante a audiência, Gleice Jane também ampliou a discussão para além da construção da escola e criticou o modelo de crescimento urbano de Dourados.

“Hoje a cidade cresce para atender interesses econômicos, mas sem garantir estrutura para as pessoas. Falta escola, falta posto de saúde, falta passarela, falta planejamento urbano”, afirmou.

Como encaminhamento, a audiência definiu a elaboração de um relatório com todas as falas e demandas apresentadas pela comunidade. O documento será encaminhado ao Governo do Estado, Prefeitura de Dourados, Ministério Público, Defensoria Pública, Câmara Municipal e demais órgãos envolvidos.

A expectativa é que uma nova reunião seja realizada nas próximas semanas para discutir, junto ao município, a definição de uma área que permita avançar na construção da nova unidade escolar estadual para atender a região do Jardim Guaicurus.

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