STF analisa destino de recursos de emendas Pix destinadas a ONG ligada a produtora do longa “Dark Horse”; deputado de MS está entre os parlamentares mencionados em investigação que também envolve outros nomes do PL
O deputado federal por Mato Grosso do Sul, Marcos Pollon (PL), é um dos parlamentares citados em uma apuração em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga a destinação de emendas parlamentares para a produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Pollon, que atualmente está com o mandato suspenso, aparece entre os nomes mencionados em um despacho do ministro Flávio Dino, que solicitou explicações sobre o direcionamento de recursos públicos via chamadas “emendas Pix” para uma organização não governamental (ONG) vinculada à produtora responsável pelo longa-metragem.
Segundo informações apontadas na apuração, outros parlamentares também foram citados no mesmo contexto, entre eles Mário Frias (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF). No total, os repasses sob análise somariam cerca de R$ 2,6 milhões destinados em 2024 à ONG presidida por uma sócia da produtora do filme.
O objetivo da apuração é verificar se os valores transferidos por meio das emendas parlamentares tiveram como destino final o financiamento da produção audiovisual, ou se foram aplicados em outras finalidades previstas no objeto das transferências.
Caso também envolve Banco Master e gravações da PF
Paralelamente, o caso ganhou novos desdobramentos após a divulgação de materiais atribuídos ao inquérito da Polícia Federal no âmbito da operação Compliance Zero, que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, recentemente liquidado.
De acordo com informações divulgadas pelo site Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro teria trocado mensagens e áudios com Vorcaro em tratativas relacionadas ao financiamento do mesmo projeto cinematográfico.
Em uma das gravações citadas pela reportagem, o senador menciona dificuldades no andamento da produção e solicita apoio financeiro. Em outro trecho divulgado, há referência a valores e negociações envolvendo aportes milionários, cujo teor integra documentos sob análise no inquérito.
Até o momento, não há manifestação pública formal que confirme conclusão das investigações sobre o destino final dos recursos nem responsabilização definitiva dos envolvidos.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades
Após a divulgação do conteúdo, Flávio Bolsonaro afirmou que as informações são “mentira” e negou qualquer participação do Banco Master no financiamento do filme. O senador também classificou como incorretas as acusações relacionadas às mensagens e áudios divulgados.
STF ainda não concluiu análise sobre emendas
O caso envolvendo as emendas parlamentares segue em fase de apuração. O Supremo Tribunal Federal não indicou conclusão sobre eventual irregularidade no uso dos recursos, tampouco confirmou a vinculação direta dos valores ao financiamento do filme “Dark Horse”.
As informações fazem parte de um conjunto de investigações e reportagens em andamento que tratam da relação entre recursos públicos, emendas parlamentares e projetos privados ligados à produção audiovisual.
Contexto político
O episódio ocorre em meio a discussões mais amplas no Congresso Nacional e no Judiciário sobre a transparência e a rastreabilidade das chamadas emendas Pix, modalidade de repasse direto de recursos federais a estados, municípios e entidades privadas.
No caso em análise, a apuração busca esclarecer se houve compatibilidade entre o objeto das emendas e a destinação final dos recursos vinculados às entidades beneficiadas.


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