Auditor da Receita Federal teve passaporte apreendido e passou a usar tornozeleira eletrônica; ao se explicar à corregedoria, citou nome vinculado ao esquema de espionagem ilegal montado na Abin durante o governo Bolsonaro
O auditor da Receita Federal Ricardo Manzano de Moraes tornou-se alvo de investigação após suspeitas de que teria acessado informações sigilosas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Como medida cautelar, ele teve o passaporte apreendido e passou a utilizar tornozeleira eletrônica.

O caso ganhou novos contornos quando, ao prestar esclarecimentos à corregedoria da Receita Federal, Moraes mencionou um nome ligado às apurações sobre a chamada “Abin paralela” um suposto esquema de espionagem ilegal que teria operado dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Conexão com a “Abin paralela”
A investigação sobre a chamada “Abin paralela” apura a existência de uma estrutura clandestina de monitoramento que teria sido utilizada para rastrear adversários políticos, autoridades públicas e outras pessoas consideradas estratégicas. O esquema teria funcionado à margem dos protocolos institucionais e fora dos mecanismos formais de controle.
A menção feita por Ricardo Manzano de Moraes a um nome vinculado a essa investigação chamou a atenção das autoridades, pois sugere possível interseção entre o acesso indevido a dados fiscais e a estrutura investigada no âmbito da Abin.
Medidas cautelares e andamento das investigações
As medidas impostas ao auditor apreensão de passaporte e monitoramento eletrônico indicam que as autoridades consideraram haver indícios suficientes para restringir sua movimentação enquanto as apurações seguem em curso.
Até o momento, o caso permanece sob investigação, e não há condenações. A Receita Federal e os órgãos responsáveis analisam se houve quebra de sigilo funcional e eventual uso indevido de sistemas internos para obtenção de dados protegidos por lei.
A apuração também busca esclarecer se o acesso às informações dos ministros do STF ocorreu de forma isolada ou se fazia parte de uma estrutura mais ampla de coleta irregular de dados.



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