O norte-americano ameaçou atacar o Irã caso não fosse alcançado um acordo nuclear, além de sinalizar com US$ 10 bilhões para ‘reconstruir’ Gaza
Em uma atitude paradoxal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (19), durante a primeira reunião do seu Conselho da Paz, que investirá US$ 10 bilhões na reconstrução da Faixa de Gaza para pôr fim à guerra. No entanto, também ameaçou atacar o Irã caso não seja alcançado um acordo nuclear.
Ao lembrar do ataque ao Irã no ano passado, Trump mandou recado: “Boas conversas estão sendo mantidas, temos que fazer um acordo significativo. Descobrirei o que fazer em cerca de dez dias. Eles não podem ter uma arma nuclear. Agora é a hora do Irã se juntar a nós em um caminho para a paz. O Irã precisa fazer um acordo ou coisas ruins acontecerão”.
O presidente norte-americano ainda convocou o Hamas a entregar suas armas: “Se não devolverem as armas, serão tratados com dureza”.
Integram o conselho: Israel, Argentina, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Catar, Egito, Turquia, Hungria, Marrocos, Paquistão, Indonésia, Kosovo, Uzbequistão, Cazaquistão, Paraguai, Vietnã, Armênia, Azerbaijão e Belarus.
Na reunião, sete países se comprometeram a enviar US$ 7 bilhões para ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Trump não anunciou como serão investidos os recursos doados pelos Estados Unidos. O evento não contou com a presença de líderes da Europa Ocidental.
Segundo agências internacionais, a reunião teve tom de autopromoção. Trump destacou resoluções de guerra que diz ter impulsionado.
Em entrevista à AFP, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, afirmou que o Conselho deveria forçar Israel a “pôr fim às suas violações (do cessar-fogo) em Gaza” e a suspender o bloqueio ao território.
Culpa
“A própria criação do tal Conselho da Paz em si já é uma tentativa, até deliberada, de construir uma ONU paralela, esvaziada de qualquer princípio de soberania, legalidade internacional ou multilateralismo real. Trata-se da submissão das nações ao controle absoluto dos Estados Unidos com Israel como parceiro estratégico privilegiado neste concerto”, avalia o vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina, Marcos Tenório Sayid.
Para ele, a destinação de recursos por parte dos Estados Unidos soa como um reconhecimento de culpa.
“Isso porque os Estados Unidos são o parceiro apoiador e financiador do genocídio israelense na Faixa de Gaza, responsável direto pela total destruição da infraestrutura, das milhares de residências e pelo extermínio de mais de 300 mil pessoas”, critica.
Tenório também lembrou que nesta quinta-feira os Estados Unidos anunciaram que pretendem construir uma base militar com 5 mil soldados.
“Ou seja, esse investimento não é para a reconstrução de Gaza, mas para estabelecer os seus mecanismos de controle na região, que envolve bases e transferência de equipamentos militares, de tecnologia e de comunicação”, diz.
Fonte: Vermelho



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