Manutenção da máquina pública e do Judiciário consome bilhões por ano e pressiona as finanças do país
O custo de manutenção da máquina pública brasileira voltou ao centro do debate nacional. Levantamentos baseados em dados públicos e estimativas econômicas indicam que a estrutura do Estado especialmente no âmbito político e administrativo representa um impacto bilionário anual para os cofres públicos, em meio a um cenário de crescimento da dívida e forte pressão sobre o orçamento.
Atualmente, o Brasil mantém uma ampla estrutura política formada por presidente e vice-presidente da República, 81 senadores, 513 deputados federais, 27 governadores e vice-governadores, além de mais de 1.000 deputados estaduais, 5.569 prefeitos, vice-prefeitos e cerca de 58 mil vereadores espalhados pelos municípios do país.
Além dos cargos eletivos, chama atenção o número de assessores vinculados ao Poder Legislativo. Cada senador, por exemplo, pode contar com até 54 assessores, enquanto deputados federais, estaduais e vereadores também dispõem de equipes numerosas. Somadas, essas estruturas reúnem uma estimativa de mais de 700 mil pessoas ligadas diretamente ao sistema político brasileiro.
Gastos bilionários
De acordo com estimativas apresentadas no levantamento, o custo para manter essa engrenagem política pode chegar a cerca de R$ 130 bilhões por ano, considerando salários, benefícios e estruturas de apoio. O valor equivale a aproximadamente R$ 357 milhões por dia, ou R$ 14,8 milhões por hora.
Além disso, o país destina recursos específicos para o financiamento da atividade política. Em 2025, o Fundo Partidário gira em torno de R$ 1 bilhão, enquanto o Fundo Eleitoral alcança cerca de R$ 5 bilhões, utilizados no custeio de campanhas.
Peso do Estado na economia
O debate sobre o chamado “Custo Brasil” vai além da política. Dados econômicos indicam que o gasto público no país já ultrapassa 47% do Produto Interno Bruto (PIB), refletindo uma estrutura estatal considerada pesada por especialistas. Projeções apontam que a dívida pública pode se aproximar de 84% do PIB em 2026, o que reforça o alerta sobre a sustentabilidade fiscal.
Segundo estimativas recorrentes no meio econômico, fatores como burocracia excessiva, infraestrutura deficiente e alta carga tributária geram prejuízos superiores a R$ 1,7 trilhão por ano, impactando diretamente a competitividade das empresas e o crescimento econômico.
Judiciário também pesa no orçamento
Outro ponto de destaque é o custo do Poder Judiciário, que não está incluído nas estimativas iniciais da estrutura política. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que, em 2024, os gastos do Judiciário chegaram a R$ 146,5 bilhões, o equivalente a 1,2% do PIB.
Desse total, mais de 80% foram destinados ao pagamento de pessoal, incluindo magistrados, servidores ativos e aposentados. O custo médio por habitante foi de aproximadamente R$ 689, colocando o Brasil entre os países que mais gastam com o sistema judicial no mundo.
Debate necessário
Embora os números apresentados sejam baseados em dados públicos e projeções, especialistas alertam que a discussão sobre o tamanho e a eficiência do Estado precisa ser feita com transparência, critério técnico e responsabilidade. Para analistas, a busca por equilíbrio fiscal passa por reformas administrativas, revisão de gastos e melhoria na gestão pública, sem comprometer serviços essenciais à população.
O tema segue como um dos principais desafios do país e promete continuar no centro do debate político e econômico nos próximos anos.


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