Declarações do presidente norte-americano levantam suspeitas de interesse econômico nas maiores reservas de petróleo do mundo
Declarações feitas neste sábado (3) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causaram forte repercussão internacional e indignação em diversos países da América Latina. Em pronunciamento, Trump afirmou que os Estados Unidos passariam a administrar a Venezuela de forma interina e anunciou que empresas petrolíferas norte-americanas assumiriam o controle do petróleo venezuelano.
Durante o discurso, Trump voltou a citar a Doutrina Monroe, política criada no século XIX que defendia a influência dos Estados Unidos sobre o continente americano. Segundo ele, “o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, frase que foi interpretada por especialistas como uma ameaça direta à soberania dos países latino-americanos.
As declarações ocorreram em meio a relatos de novos ataques dos Estados Unidos a pontos estratégicos de Caracas, capital da Venezuela. Também circularam informações de que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa teriam sido detidos e levados para Nova York em um navio de guerra. Até o momento, essas informações não foram confirmadas por fontes independentes, o que aumenta a tensão e a incerteza no cenário internacional.
Trump afirmou ainda que os Estados Unidos iriam administrar a Venezuela “até que haja uma transição adequada, justa e legal”, alegando que o objetivo seria levar liberdade e justiça ao povo venezuelano. No entanto, o próprio discurso do presidente acabou levantando dúvidas sobre as reais intenções da ofensiva norte-americana.
Isso porque Trump deixou claro que o foco do governo dos Estados Unidos está no controle do petróleo da Venezuela. Segundo ele, grandes companhias petrolíferas dos EUA entrariam no país, investiriam bilhões de dólares, recuperariam a infraestrutura e passariam a explorar os recursos naturais.
A Venezuela possui hoje a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris, superando países como a Arábia Saudita, que tem entre 267 e 297 bilhões, e o Irã, com aproximadamente 209 bilhões de barris. Na sequência aparecem países como Iraque, com cerca de 145 bilhões, e o Canadá, com aproximadamente 168 bilhões de barris, considerando as areias betuminosas.
Embora grande parte do petróleo venezuelano seja do tipo extra-pesado, o que exige mais tecnologia e altos investimentos para a extração, o volume gigantesco dessa reserva reforça a avaliação de que a movimentação dos Estados Unidos não está ligada à defesa da democracia, mas sim a interesses econômicos e estratégicos.
Especialistas alertam que esse tipo de postura representa uma grave ameaça à soberania dos países da América Latina e pode repetir práticas históricas de intervenção que já trouxeram consequências negativas à região. Para muitos analistas, o discurso de Trump deixa claro que, por trás do argumento de “liberdade”, está a disputa pelo controle de uma das maiores riquezas naturais do planeta: o petróleo.




Comentários