Autora do pedido de abertura da comissão, vereadora do PT ficará responsável por conduzir os trabalhos; composição terá quatro integrantes que não fazem oposição direta à prefeita Adriane Lopes
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) ficará responsável por presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do tapa-buracos na Câmara Municipal de Campo Grande. Autora do requerimento que propôs a investigação, a parlamentar terá a missão de conduzir os trabalhos que deverão apurar os contratos, os gastos públicos e a execução dos serviços de manutenção da malha viária da Capital.

A composição da comissão foi definida após negociações entre os vereadores e será formada por cinco integrantes. Além de Luiza Ribeiro na presidência, participarão Dr. Vitor Rocha (PP), como relator, Dr. Lívio (União Brasil), Beto Avelar (PP) e Leinha (Avante).
A formação chama a atenção pelo perfil político dos integrantes. Luiza é a única integrante apontada como oposição à administração municipal. Os outros quatro vereadores não integram uma oposição direta à prefeita Adriane Lopes (PP), o que coloca sobre a comissão o desafio de demonstrar independência na condução das apurações.
Entre os nomes escolhidos está Beto Avelar, que anteriormente ocupava a liderança da prefeita na Câmara Municipal e deixou a função para integrar a CPI. Dr. Vitor Rocha também é conhecido por seu alinhamento político com a administração municipal. Já Dr. Lívio, embora tenha feito críticas públicas à prefeita, frequentemente acompanha votações da base governista.
Leinha, por sua vez, também esteve envolvida em debates recentes sobre o IPTU. Apesar de ter manifestado contrariedade ao aumento do imposto, votou favoravelmente ao reajuste aprovado pela Câmara.
Investigação envolve milhões em contratos
A CPI foi proposta em meio à crescente insatisfação da população com as condições das ruas e avenidas de Campo Grande. Os problemas na pavimentação têm provocado prejuízos aos motoristas e motociclistas, além de aumentar as preocupações com a segurança no trânsito.
A situação também ganhou dimensão judicial com a Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MPMS) para investigar suspeitas de irregularidades em contratos relacionados aos serviços de tapa-buracos, incluindo possíveis desvios de recursos, superfaturamento e pagamento de propina.
Entre as empresas investigadas está a Rial Construtora, também identificada como Força Engenharia, responsável por quatro das sete regiões contempladas pelos contratos investigados.
Responsabilidade de Luiza Ribeiro
Na presidência da CPI, Luiza Ribeiro terá papel central na organização dos trabalhos, na condução das reuniões e no encaminhamento das diligências e pedidos de informação necessários à investigação.
A comissão terá a responsabilidade de esclarecer como os recursos públicos destinados à manutenção das vias foram utilizados, quais empresas receberam pagamentos, se os serviços contratados foram efetivamente executados e se houve irregularidades na aplicação do dinheiro público.
A expectativa é que a investigação apresente respostas à população sobre os problemas recorrentes na pavimentação de Campo Grande e a destinação dos recursos municipais.
Com uma composição majoritariamente formada por vereadores que não fazem oposição direta à prefeita, a atuação da CPI também será acompanhada de perto pela população, que espera uma apuração independente e transparente, sem blindagem política de eventuais responsáveis.



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