Candidato foi a passeio de lancha com prostitutas e empresários ligados à negociação da Covaxin, enquanto investigação apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo seu sócio
Mais duas duas denúncias envolvem o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Uma reforça envolve dinheiro escondido e a outra aumenta ainda mais o nível de descaso com o qual a família Bolsonaro lidou com a pandemia da covid-19. A mais recente foi publicada ontem pelo Estadão: a Polícia Federal descobriu uma sala secreta dentro de um hangar no Aeroporto de Brasília que é usado pelas empresas de aviação de Willer Tomaz, amigo e sócio de Flávio, com quem o senador tem até uma conta conjunta. O espaço seria utilizado para guardar dinheiro, tanto que os agentes encontraram uma máquina para contar cédulas.

A outra é mais antiga, mas só veio à tona agora, a partir de uma denúncia feita pela revista piauí: a presença de Flávio em uma festa numa lancha em julho de 2020, em plena pandemia, com garotas de programa e lobistas que tentavam vender para o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, a vacina indiana Covaxin, da Bharat Biotech.
Mais duas encrencas envolvendo Flávio Bolsonaro vieram à tona nesta semana. Uma reforça as suspeitas de corrupção que cercam o senador; a outra revela como ele circulava e promovia festinhas entre lobistas interessados em vender vacinas ao governo de seu pai, Jair Bolsonaro, enquanto a população enfrentava a pandemia de covid-19.
A denúncia mais recente foi publicada ontem pelo Estadão. A Polícia Federal descobriu uma sala secreta em um hangar no Aeroporto de Brasília utilizado por empresas de aviação de Willer Tomaz, amigo e sócio de Flávio, com quem o senador mantém até uma conta conjunta. O espaço seria usado para guardar dinheiro em espécie. No local, os agentes encontraram uma máquina de contar cédulas.
A outra denúncia é mais antiga, mas só veio à tona agora, em reportagem da revista piauí e revela que Flávio participou, em julho de 2020, de uma festa em uma lancha com garotas de programa e lobistas que tentavam vender ao governo Bolsonaro a vacina indiana Covaxin, produzida pela Bharat Biotech. O encontro ocorreu em plena pandemia, quando o país enfrentava as consequências sanitárias e sociais da covid-19. Ao aceitar participar de um evento com representantes interessados em negociar imunizantes com o governo federal, Flávio expôs sua proximidade com lobistas que buscavam lucrar com a compra de vacinas em um dos momentos mais críticos da crise sanitária.
A sala secreta
A ação que descobriu a sala secreta de Willer Tomaz integrou a Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF cumpriu mandados de busca e apreensão no Aeroporto de Brasília em agosto. Foram apreendidas quatro aeronaves e listas de passageiros e diários de bordo dos veículos de Willer Tomaz.
Depois disso, a corporação recebeu uma denúncia anônima indicando a existência da sala secreta usada para guardar dinheiro. O acesso era através de uma borda metálica blindada atrás de uma porta de madeira comum.
Não foi encontrado dinheiro vivo no local, mas havia equipamentos para armazenamento e transporte, como malas e prateleiras, além da máquina de contar cédulas. A PF investiga se alguém entrou no hangar no intervalo entre as duas operações para recolher dinheiro.
Willer Tomaz é investigado pelo esquema de fraudes no INSS, e na semana passada a PF enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de inquérito contra Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro, em conluio com o amigo. Os dois também estão envolvidos em encrencas relacionadas a Daniel Vorcaro e ao roubo de uma ilha do jogador Richarlison.
A festa na lancha
Em julho de 2020, os empresários Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiliano, da Precisa Medicamentos, organizaram com a ajuda do agente de viagens Raphael Barão uma festa com Flávio Bolsonaro para tentar se aproximar do governo de seu pai, segundo a revista piauí. Foi um churrasco a bordo de uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, que contou com a presença de três garotas de programa que teriam vindo de São Paulo especialmente para a ocasião. Flávio não foi sozinho: levou o amigo e sócio Alexandre Santini, com quem dividia a propriedade da loja de chocolates supostamente usada para lavar dinheiro no esquema das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
De acordo com a reportagem, a festa durou das 10h30 às 15h. Flávio teria descido à cabine da lancha com uma das garotas de programa ao longo do encontro e, ao final, sido presenteado por um dos empresários com um Rolex. Os três empresários que organizaram a festa foram investigados pela CPI da Covid, em 2021, por suspeita de lavagem de dinheiro. Não surpreendentemente, Flávio defendeu a Precisa Medicamentos durante a Comissão Parlamentar de Inquérito.
Na época, o chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, disse ao Ministério Público e aos senadores da CPI que sofreu “pressão incomum” para assinar o contrato de compra da Covaxin, o que levou a compra a ser suspensa por indícios de corrupção.
A vacina que teve maior esforço de compra por parte do governo Bolsonaro era também a mais cara. O contrato da Covaxin era de R$ 80 por dose. Já a da Pfizer, que teve 80 e-mails não respondidos pelo governo Bolsonaro, oferecia a sua por R$ 56,30, e a AstraZeneca, por R$ 18.
Três meses depois da festa na lancha, diz a piauí, Flávio intermediou um encontro de Francisco Maximiliano com o então presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para discutir o financiamento de um negócio do empresário no ramo das telecomunicações.



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