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Argentina de Milei perde 32 mil empregadores; modelo econômico é inspiração declarada de Flávio Bolsonaro
Argentina de Milei perde 32 mil empregadores; modelo econômico é inspiração declarada de Flávio Bolsonaro

Coordenadora econômica da campanha do senador chamou o presidente argentino de “ótimo exemplo”; queda de 6,3% no número de empregadores registrados no país vizinho coloca os efeitos do ajuste fiscal em debate no Brasil

A experiência econômica da Argentina sob Javier Milei tem uma ligação direta com as propostas apresentadas por Flávio Bolsonaro (PL) para o Brasil. Em setembro, Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do senador e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, afirmou que a política econômica do presidente argentino era um exemplo a ser seguido pelo país.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 14 de setembro, Daniella também declarou que a equipe de Flávio trabalhava na revisão de mais de mil normas e na reversão de impostos criados ou elevados durante a gestão do ministro Fernando Haddad, utilizando como inspiração medidas adotadas pelo governo argentino.

A aproximação não se limita ao discurso econômico. Em julho, Milei participou de um evento do PL em São Paulo, no qual manifestou apoio político à candidatura de Flávio à Presidência. A presença do presidente argentino reforçou a conexão entre os dois projetos políticos.

É nesse contexto que os indicadores da economia argentina merecem atenção no debate brasileiro.

Argentina registra queda de 32 mil empregadores

Dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), órgão governamental argentino, apontam que o país perdeu 32.290 empregadores cadastrados entre novembro de 2023 e julho de 2026. O número representa uma redução de 6,3% na quantidade de empregadores com pelo menos um funcionário registrado no sistema de cobertura de acidentes de trabalho.

O total passou de 512.357 para 480.067 registros, atingindo o menor patamar desde julho de 2007, conforme o levantamento.

No mesmo universo analisado, também houve redução de 437.611 postos de trabalho registrados no período.

Os números, entretanto, exigem uma ressalva: a saída do cadastro não significa necessariamente que uma empresa tenha falido ou encerrado definitivamente suas atividades. O indicador também pode refletir estabelecimentos que deixaram de manter funcionários registrados, migraram para a informalidade ou passaram por reorganizações societárias.

Além disso, a sequência temporal não permite atribuir toda a retração exclusivamente às políticas de Milei. A avaliação dos resultados exige considerar outros fatores econômicos e a evolução de indicadores como produção, salários, consumo e investimentos.

O que Flávio pretende levar para o Brasil?

A proposta econômica de Flávio Bolsonaro inclui um amplo programa de redução de despesas públicas, chamado de “tesouraço”, com previsão de cortes equivalentes a uma parcela expressiva do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre as medidas divulgadas estão a redução de ministérios, o corte de cargos comissionados, a diminuição de despesas administrativas, a criação de um novo teto de gastos e a retomada de iniciativas de desestatização.

A campanha também defende a revisão de normas e a reversão de determinados aumentos de impostos. Parte dessas medidas foi apresentada pela própria equipe econômica como inspirada na experiência argentina.

O ponto central é que a aproximação com Milei não é apenas uma interpretação externa: integrantes da equipe de Flávio declararam publicamente essa inspiração. Isso, porém, não significa que todas as medidas adotadas na Argentina serão reproduzidas integralmente no Brasil.

Quais seriam os efeitos para trabalhadores e empresas?

A experiência argentina coloca uma questão importante para o debate eleitoral brasileiro: quais são os efeitos de um programa de ajuste fiscal sobre a atividade econômica, o emprego formal e a renda das famílias?

Defensores de cortes de gastos argumentam que a redução das despesas e da burocracia pode melhorar as contas públicas, estimular investimentos e criar condições para o crescimento econômico. Críticos, por sua vez, alertam que ajustes rápidos e abrangentes podem comprometer investimentos públicos, serviços essenciais e a renda de trabalhadores, dependendo de como forem implementados.

No caso argentino, a redução do número de empregadores registrados e dos postos de trabalho no período oferece indicadores relevantes para acompanhar essa discussão, embora não seja suficiente, isoladamente, para determinar o impacto de cada medida do governo Milei.

No Brasil, a questão será compreender como a proposta de Flávio pretende alcançar as metas de economia anunciadas, quais despesas seriam atingidas e como o plano conciliaria a redução de gastos com as promessas de preservar benefícios sociais.

A experiência da Argentina, apontada pela própria equipe econômica de Flávio como fonte de inspiração, torna esse debate concreto: mais do que discutir o tamanho do Estado, será necessário avaliar os resultados econômicos e sociais do modelo proposto.

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