Em ato por democracia, presidente defende presença dos jovens em decisões do país, pede votações da 6x1 e a PEC da Segurança e critica destruição de Bolsonaro e tesouraço de Flávio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido por uma multidão na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 11, durante ato em defesa da democracia. Em seu discurso, Lula convocou a juventude a participar das decisões políticas, alertou para o risco de retrocessos sociais e cobrou explicações de seu adversário sobre o “tesouraço” que pretende promover nos gastos públicos. O presidente também chamou à mobilização os cerca de 30 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno, com atenção especial às pessoas com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo.

Lula associou a disputa eleitoral à preservação de direitos e às condições de vida da população, citando como exemplos os possíveis cortes nos direitos dos mais pobres e dos aposentados. Ao comparar o cenário que teme para o Brasil com as medidas adotadas pelo presidente argentino Javier Milei, afirmou que o país não pode voltar a uma situação de miséria.
“Vocês sabem, na vida de vocês e na casa de vocês, que construir qualquer coisa é muito difícil. Mas destruir é muito simples. Para destruir, qualquer um destrói”, disse o presidente, ao defender a participação popular na construção das políticas públicas e na preservação da democracia.
O presidente também convocou os jovens a assumir responsabilidades na vida política. “Ou vocês participam da vida política, ou ela não tem conserto. Vocês têm que assumir a responsabilidade. Enquanto são jovens, enquanto têm energia, enquanto têm disponibilidade de ir à luta”, afirmou.
Ao abordar a mobilização para o segundo turno, Lula destacou que a abstenção no primeiro turno exige diálogo com quem não compareceu às urnas. Ele citou especialmente os eleitores com mais de 70 anos, que não são obrigados a votar, e defendeu que a idade não deve ser motivo para afastamento da participação política.
O presidente ressaltou que a participação popular precisa ir além da escolha de representantes nas eleições e alcançar as decisões de governo, destacando, inclusive, o protagonismo da sociedade nesta campanha eleitoral.
“Hoje vocês estão me dizendo, o povo está me dizendo. Nessa campanha foi a voz do povo a que eu mais ouvi. ‘Ô Lula, a gente não quer só comida. A gente quer cultura, cinema, estudar. A gente quer emprego de qualidade. A gente quer liberdade. A gente quer democracia'”, salientou o presidente.
Lula também criticou a atuação da Justiça Eleitoral e afirmou perceber decisões tendenciosas contra sua campanha. Sem citar nominalmente Kássio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e integrante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente questionou a condução da Corte e apontou o que considera um desequilíbrio no tratamento dado às campanhas nas redes sociais. Lula afirmou que pretende recorrer à Justiça para pedir explicações e contestar decisões que, segundo ele, têm bloqueado perfis ligados à sua campanha, enquanto conteúdos de seu adversário continuam circulando.
Lula associou a defesa da democracia à garantia de condições dignas de vida e à proteção dos direitos sociais. e criticou a condução do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia, lembrando as mortes provocadas pela doença, a falta de oxigênio enfrentada por pacientes e o desprezo pela ciência.
Semana de votações no Congresso
Lula apontou a próxima semana como decisiva para a disputa política e para a agenda de garantia de direitos sociais. Entre os temas destacados, está a votação do fim da escala 6×1, prevista para quarta-feira,14, que deverá colocar em evidência a posição dos partidos sobre a redução da jornada de trabalho e a ampliação do descanso semanal.
rO presidente cobrou que o Partido Liberal (PL), ligado ao seu adversário, explicite seu voto. “Agora é a hora da verdade. O PL tem que dizer se ele é favorável aos trabalhadores descansarem mais ou quer que os trabalhadores continuem trabalhando mais”, afirmou.
Lula também citou a tramitação da PEC da Segurança Pública, que busca definir as atribuições da União, dos estados e dos municípios na área, e voltou a cobrar esclarecimentos sobre os cortes de gastos defendidos por seu adversário, alertando para possíveis impactos sobre os direitos sociais.
Lideranças políticas participam do ato
O comício reuniu lideranças políticas e representantes de diferentes regiões do país. Estiveram ao lado de Lula o vice-presidente Geraldo Alckmin, a primeira-dama Janja Lula da Silva, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o governador do Ceará, Elmano de Freitas, além de outras lideranças políticas e parlamentares.
Ao encerrar sua fala, Lula reforçou o chamado à mobilização e à defesa das instituições democráticas. O presidente contrastou o projeto que defende, centrado na participação popular, na ampliação de oportunidades e na proteção de direitos, com a atuação da família Bolsonaro, que associou à condução da pandemia e aos riscos de retrocessos sociais. A democracia, afirmou, exige compromisso permanente da sociedade e participação ativa das novas gerações.



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