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Júnior Mochi fica fora da Assembleia e abre novo capítulo para a representação do Norte de MS
Júnior Mochi fica fora da Assembleia e abre novo capítulo para a representação do Norte de MS

Mesmo sem conseguir a reeleição, deputado foi o mais votado para o cargo em Coxim, onde recebeu 5.536 votos; resultado encerra ciclo de uma das principais lideranças políticas da região no Legislativo estadual

A eleição deste domingo (4) marca o encerramento de um ciclo importante para a política de Coxim e do Norte de Mato Grosso do Sul. Depois de quatro mandatos como deputado estadual e de ter presidido a Assembleia Legislativa, Júnior Mochi (MDB) não conseguiu uma nova cadeira entre os 24 parlamentares eleitos para a próxima legislatura.

O resultado estadual, porém, contrasta com a força demonstrada pelo político em sua principal base eleitoral. Em Coxim, Mochi foi o candidato a deputado estadual mais votado, com 5.536 votos, equivalentes a 30,71% dos votos válidos para o cargo no município. O segundo colocado teve 1.175 votos.

A votação em Coxim reforça o peso que o nome de Mochi ainda possui no município, mesmo diante do resultado estadual que o deixa fora da Assembleia a partir de 2027.

Uma derrota eleitoral que muda o cenário regional

Mochi construiu boa parte de sua trajetória política a partir de Coxim. Foi prefeito do município por dois mandatos e chegou à Assembleia Legislativa em 2006. Depois, foi reeleito em 2010 e 2014, ocupando a presidência do Legislativo estadual entre 2015 e 2019. Em 2022, retornou à Assembleia com 26.108 votos.

Agora, pela primeira vez em duas décadas de forte presença no cenário estadual, o nome de Mochi não estará entre os parlamentares que ocuparão uma das 24 cadeiras da Assembleia na próxima legislatura.

A mudança tem impacto particularmente simbólico para Coxim e para o Norte do Estado, região que teve em Mochi uma de suas principais lideranças políticas com presença permanente no Parlamento estadual.

O resultado não significa que municípios do Norte ficarão sem qualquer interlocução com deputados estaduais. A diferença é que, a partir de 2027, a região deixa de ter Júnior Mochi como seu principal representante político de origem regional dentro da Assembleia.

Mochi teve mais votos que alguns eleitos

Outro aspecto que chama atenção no resultado é que a ausência de Mochi na Assembleia não pode ser explicada simplesmente pela falta de votos individuais.

A eleição para deputado estadual ocorre pelo sistema proporcional. Nesse modelo, além da votação individual dos candidatos, também pesa o desempenho dos partidos e federações na distribuição das cadeiras. Por isso, um candidato pode receber mais votos que outro e, ainda assim, não conquistar uma vaga.

Na apuração, Mochi terminou entre os candidatos mais votados do Estado, mas não alcançou uma das 24 cadeiras.

A situação também expõe a peculiaridade do sistema eleitoral: a votação expressiva em Coxim não foi suficiente para garantir a continuidade de uma liderança regional no Legislativo estadual.

O que muda para Coxim e para o Norte?

A partir de 2027, a ausência de Mochi entre os deputados estaduais deverá abrir uma nova etapa para a representação política de Coxim e dos municípios do Norte.

Demandas relacionadas à infraestrutura, saúde, segurança, rodovias, desenvolvimento econômico, agricultura e serviços públicos continuarão chegando à Assembleia, mas a região terá de estabelecer novas relações políticas com os parlamentares que ocuparão as 24 cadeiras.

É justamente nesse ponto que o resultado eleitoral ultrapassa a trajetória individual de Júnior Mochi.

A votação expressiva obtida pelo político em Coxim demonstra que ele continua sendo uma referência eleitoral no município. Ao mesmo tempo, sua não eleição modifica a composição das forças políticas que terão espaço institucional na Assembleia a partir do próximo ano.

Para uma região acostumada a ter em Mochi uma de suas principais vozes no Parlamento estadual, o resultado deste domingo representa o encerramento de um ciclo e coloca uma nova pergunta no cenário político regional:

quem ocupará, nos próximos quatro anos, o espaço de articulação política deixado por Júnior Mochi na Assembleia Legislativa?

A resposta deverá ser construída ao longo da próxima legislatura, a partir da atuação dos parlamentares eleitos e da capacidade das lideranças municipais do Norte de Mato Grosso do Sul de estabelecer novas pontes com o Legislativo estadual.

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