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Família Bolsonaro negociou 107 imóveis; pagamentos em dinheiro vivo foram identificados em pelo menos 51
Família Bolsonaro negociou 107 imóveis; pagamentos em dinheiro vivo foram identificados em pelo menos 51

Levantamento do UOL, baseado em documentos de cartórios e outras evidências, identificou ao menos R$ 5,7 milhões pagos em espécie nas transações; valor equivale a R$ 11,1 milhões corrigidos pelo IPCA

Um levantamento realizado pelo UOL identificou 107 imóveis negociados desde os anos 1990 por Jair Bolsonaro e familiares. Em pelo menos 51 dessas transações, houve identificação de pagamento total ou parcial em dinheiro vivo, segundo a apuração baseada em documentos de cartórios, registros públicos, processos judiciais e entrevistas com pessoas envolvidas nas negociações.

A investigação, publicada em agosto de 2022, analisou o patrimônio imobiliário de Jair Bolsonaro, seus três filhos mais velhos, duas ex-mulheres, a mãe e irmãos. Durante sete meses, os jornalistas consultaram 1.105 páginas de 270 documentos solicitados a cartórios de 16 municípios.

Pelo menos R$ 5,7 milhões foram pagos em espécie

Um dos principais dados do levantamento é o volume de dinheiro vivo identificado nas transações.

Os 51 imóveis nos quais houve pagamento total ou parcial em espécie somavam R$ 13,5 milhões nos valores registrados à época das compras. Corrigido pelo IPCA, esse conjunto corresponde a R$ 25,6 milhões.

Esse valor, porém, não representa o montante pago em dinheiro vivo.

Uma checagem publicada posteriormente pelo próprio UOL esclareceu que a parcela identificada especificamente como paga em espécie foi de pelo menos R$ 5,7 milhões nos valores da época. Corrigido pelo IPCA, o montante equivale a aproximadamente R$ 11,1 milhões.

A diferença é importante porque nem todos os 51 imóveis foram quitados integralmente em espécie. Em diversas operações, apenas parte do pagamento ocorreu dessa forma.

O que os documentos mostram

Entre os registros analisados aparecem escrituras nas quais os pagamentos são descritos como feitos em “moeda corrente nacional”, expressão utilizada em documentos para registrar pagamentos em espécie.

A apuração também levou em consideração outros elementos, como documentos do Ministério Público e depoimentos de vendedores dos imóveis. O levantamento apontou que os pagamentos em dinheiro não estavam restritos a um único integrante da família ou a um único município.

Um caso posteriormente confirmado por um integrante da família envolve o deputado Eduardo Bolsonaro.

Na escritura de um apartamento, consta que ele pagou R$ 100 mil “em moeda corrente do país, contada e achada certa”. O imóvel também envolveu outros pagamentos e um financiamento de aproximadamente R$ 800 mil.

26 imóveis tiveram a forma de pagamento não identificada

O levantamento também apresenta uma limitação importante. Dos 107 imóveis analisados, 26 não tiveram a forma de pagamento identificada, porque essa informação não constava nos documentos de compra e venda consultados. Esses imóveis somavam R$ 986 mil nos valores da época, ou aproximadamente R$ 1,99 milhão corrigidos.

Outras 30 transações foram realizadas por meio de cheque ou transferência bancária, segundo a documentação analisada. Por isso, o dado correto é que pelo menos 51 das 107 transações imobiliárias tiveram pagamentos totais ou parciais em dinheiro vivo identificados.

Bolsonaro questionou o levantamento

Após a publicação da reportagem, Jair Bolsonaro foi questionado sobre as aquisições e respondeu:

“Qual o problema de comprar com dinheiro vivo algum imóvel?”

Posteriormente, o então presidente também contestou a interpretação dada pelo UOL aos documentos e criticou a publicação da reportagem.

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