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Demitido da PF, Eduardo Bolsonaro teve tempo para atacar o Brasil, mas não para trabalhar pelo país
Demitido da PF, Eduardo Bolsonaro teve tempo para atacar o Brasil, mas não para trabalhar pelo país

Ex-deputado perdeu mandato por faltas e abandonou cargo de escrivão na Polícia Federal enquanto articulava sanções nos Estados Unidos para favorecer interesses da família Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro encontrou tempo para atuar contra o Brasil nos Estados Unidos, mas não para cumprir suas obrigações no serviço público. O filho de Jair Bolsonaro e irmão do candidato Flávio foi demitido da Polícia Federal por abandono de cargo, em decisão publicada nesta segunda-feira, 21, no Diário Oficial da União. A punição ocorre após o ex-deputado permanecer no exterior e deixar de retornar ao trabalho como escrivão.

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A ausência no trabalho contrasta com o empenho dedicado à articulação de medidas contra o próprio país. Desde que se instalou nos Estados Unidos, em 2025, Eduardo participou da ofensiva por sanções e pressões sobre instituições brasileiras. A iniciativa recebeu apoio público de integrantes da família Bolsonaro, inclusive do irmão Flávio, que comemorou a atuação dele junto ao governo de Donald Trump.

O episódio reforça uma contradição: o compromisso com as funções públicas ficou em segundo plano, enquanto a defesa dos interesses familiares mobilizou esforços no exterior.

Faltou na Câmara e abandonou a Polícia Federal
Antes da demissão, Eduardo já havia perdido o mandato de deputado federal, em dezembro de 2025, por excesso de faltas. Encerrada a atividade parlamentar, deveria reassumir o posto na PF, mas decidiu continuar nos Estados Unidos.

O ato de demissão foi assinado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. A punição decorreu de faltas injustificadas por mais de 30 dias consecutivos, apuradas em processo administrativo disciplinar.

A sequência é reveladora: Eduardo deixou de cumprir as obrigações do mandato e, em seguida, não retornou à função policial. A condição de servidor público exigia presença e prestação de serviços à população. A escolha foi permanecer no exterior.

Disposição para pressionar o próprio país
Quando uma missão de senadores brasileiros buscava negociar uma saída para o tarifaço, em julho de 2025, Eduardo declarou: “Eu trabalho para que eles não encontrem diálogo”. A frase explicita a prioridade dada à obstrução das negociações.

Flávio também celebrou a ofensiva. Após o anúncio das tarifas, escreveu: “Obrigado, presidente Trump. Faça o Brasil livre novamente”. Em entrevista no dia seguinte, avaliou que “Eduardo foi muito bem-sucedido”.

O entusiasmo familiar tinha como pano de fundo medidas que encareciam produtos brasileiros no mercado norte-americano e pressionavam setores produtivos.

A demissão dá consequência administrativa ao abandono do trabalho. Politicamente, expõe a distância entre o patriotismo proclamado pelos Bolsonaro e as escolhas de Eduardo: faltou disposição para servir ao país, mas sobrou empenho para pressioná-lo de fora.

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