Heitor Scheibeler assumiu interinamente a presidência do hospital; investigação do MPMS aponta possível desvio de R$ 1,4 milhão em contrato e prejuízo mínimo de R$ 3,5 milhões em outra frente
A Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande passou a ter um novo comando interino após a prisão da presidente Alir Terra Lima e de outros integrantes da direção do hospital durante a Operação Antidotum, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) na sexta-feira (11).
Até então vice-presidente da instituição, Heitor Scheibeler assumiu a presidência interinamente e ficará à frente da Santa Casa enquanto Alir estiver presa ou afastada. Também foram realizadas mudanças provisórias em outras diretorias atingidas pela operação.
Lucas Jeferson Santos da Silva foi designado interinamente para a diretoria administrativa, no lugar de Alessandro Dias Junqueira. Já Terezinha Mafort de Castro Lopes assumiu a diretoria de finanças adjunta, anteriormente ocupada por Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa.
As mudanças ocorrem em meio a uma investigação que apura possíveis fraudes em contratos e pagamentos realizados pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, mantenedora do hospital, e pela Santa Casa Saúde.
Investigação aponta possível desvio de R$ 1,4 milhão
Segundo o MPMS, uma das principais frentes da Operação Antidotum envolve um contrato para digitalização de prontuários médicos.
O acordo previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, chegando a R$ 5,4 milhões ao final do período. De acordo com as investigações, entretanto, serviços teriam deixado de ser prestados na proporção dos valores pagos.
Somente no primeiro ano de vigência, os investigadores apontam um possível desvio de aproximadamente R$ 1,4 milhão.
A apuração também identificou possíveis irregularidades em contratos firmados pela Santa Casa Saúde com empresas que, segundo o MPMS, teriam ligações com integrantes da direção da instituição.
De acordo com a investigação, essas empresas estavam registradas no mesmo endereço, embora o imóvel estivesse desocupado.
Somente em 2025, os pagamentos realizados pela Santa Casa Saúde a essas empresas chegaram a R$ 9,6 milhões. O Ministério Público aponta, nessa frente, um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões.
O valor total de eventual prejuízo causado à Santa Casa ainda está sendo apurado.
Seis pessoas foram presas
A Operação Antidotum cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Entre os presos estão a então presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima; o diretor-adjunto de finanças Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa; o ex-diretor financeiro Rinaldo Hakme Romano; o ex-diretor administrativo Alessandro Dias Junqueira; a coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística, Monique Gregório de Oliveira; e o empresário Maurício Aparecido Benites.
Todos passaram por audiência de custódia no sábado (12) e permanecem presos preventivamente.
A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ambos do MPMS.
Órgãos de controle também aparecem na investigação
Outro ponto destacado pelo Ministério Público é a suposta falta de acesso de órgãos de fiscalização a informações relacionadas aos contratos.
Segundo a investigação, contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente sonegados ao Conselho Fiscal da Santa Casa e à Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul (CGE-MS).
O MPMS afirma que as circunstâncias ainda estão sendo investigadas e que o prejuízo total para a instituição não foi definitivamente calculado.
A operação contou com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS.
O que acontece agora
Com a prisão da presidente e de integrantes da diretoria, a Santa Casa passa a funcionar sob comando interino até que a situação administrativa seja definida.
As defesas dos investigados podem apresentar recursos e solicitar a revogação das prisões preventivas. A Operação Antidotum ainda está em andamento e, até o momento, os envolvidos são investigados pelos fatos apontados pelo Ministério Público. Eventuais responsabilidades individuais deverão ser definidas ao longo da investigação e, se houver denúncia, do processo judicial.
O nome da operação, “Antidotum”, vem do latim e significa “antídoto”, em referência a algo utilizado para neutralizar ou combater uma substância nociva.



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