Saída de profissionais da equipe responsável pelos procedimentos levou à interrupção das cirurgias; Conselho Municipal de Saúde pediu acompanhamento urgente do Ministério Público
A crise financeira e operacional da Santa Casa de Campo Grande voltou a afetar diretamente a assistência à população. As cirurgias cardíacas pediátricas de alta complexidade foram suspensas após a saída de profissionais que atuavam na equipe responsável pelos procedimentos.

A situação foi comunicada e passou a ser acompanhada pelo Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande, que encaminhou pedido de providências à 76ª Promotoria de Justiça, à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e ao Conselho Estadual de Saúde.
Segundo informações divulgadas por veículos que acompanham o caso, a saída dos profissionais ocorre em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição, incluindo relatos de atrasos nos pagamentos de médicos e problemas relacionados à manutenção das equipes.
A interrupção dos procedimentos cardíacos pediátricos preocupa especialmente por se tratar de atendimentos de alta complexidade. Informações divulgadas nesta quinta-feira (3) apontam que crianças que aguardam procedimentos poderão precisar ser encaminhadas para unidades de saúde de outros estados.
Crise afeta outros serviços
A suspensão das cirurgias cardíacas pediátricas ocorre após outros episódios de redução dos atendimentos na Santa Casa. No fim de julho, o hospital já havia comunicado a suspensão de cirurgias eletivas e exames laboratoriais em razão da falta de insumos. Em agosto, a instituição também enfrentou dificuldades para manter o atendimento e chegou a registrar mobilização de profissionais diante dos problemas financeiros.
No início de setembro, a situação voltou a se agravar, com a redução de procedimentos eletivos e atendimentos ambulatoriais e a saída de profissionais especializados.
A Santa Casa informou que, diante do atual cenário econômico e financeiro, passou a priorizar casos urgentes e graves, especialmente aqueles que apresentam risco à vida ou necessidade de intervenção imediata.
Conselho pede acompanhamento do Ministério Público
Diante da interrupção das cirurgias cardíacas pediátricas, o Conselho Municipal de Saúde solicitou o acompanhamento do Ministério Público Estadual e defendeu uma atuação conjunta entre Prefeitura, Governo do Estado e direção da Santa Casa.
A preocupação do Conselho é evitar novas interrupções e garantir a continuidade dos serviços oferecidos pela instituição, que integra a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e recebe pacientes encaminhados de diferentes municípios de Mato Grosso do Sul.
O pedido foi encaminhado à 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande. A unidade do Ministério Público possui entre suas atribuições a fiscalização de contratos e serviços de saúde vinculados ao SUS, além do acompanhamento da atuação dos gestores e das condições de funcionamento de estabelecimentos hospitalares.
Prefeitura anuncia R$ 4 milhões para insumos
Em meio ao agravamento da situação, a Secretaria Municipal de Saúde anunciou um aporte emergencial de R$ 4 milhões para auxiliar a Santa Casa na aquisição de insumos.
Também foi criada uma força-tarefa com participação da Prefeitura, do Governo do Estado e da administração do hospital, com reuniões técnicas para acompanhar a situação e buscar alternativas para manutenção da assistência.
A Prefeitura informou ainda que avalia, junto a outros hospitais contratualizados pelo SUS, a possibilidade de ampliar temporariamente a oferta de vagas para absorver parte da demanda enquanto a Santa Casa trabalha para recompor suas equipes e regularizar os serviços.
Uma crise que ultrapassa os limites da Santa Casa
A situação coloca em evidência os impactos que dificuldades financeiras e operacionais de um hospital de referência podem provocar em toda a rede pública de saúde.
A Santa Casa atende pacientes de Campo Grande e de outros municípios do Estado, o que significa que a redução de serviços especializados pode aumentar a demanda sobre outras unidades hospitalares.
A suspensão das cirurgias cardíacas pediátricas, portanto, tornou-se mais um capítulo da crise enfrentada pela instituição e reforça a necessidade de medidas coordenadas entre os responsáveis pelo financiamento, gestão e atendimento pelo SUS.


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