Lula afirma, ao ser entrevistado na TV Globo, que seu compromisso é com o crescimento e que terminará o terceiro mandato com superávit de 0,1%, após ter herdado um país deficitário
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou que o Brasil conseguirá manter as contas públicas sob controle sem abrir mão do crescimento, dos investimentos e das políticas sociais, um marco de sua trajetória na Presidência da República.

Lula ressaltou que o orçamento de 2026 caminha para encerrar o ano com superávit primário de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção confirma a trajetória de recuperação das contas públicas conduzida pela equipe do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que já garantiu a manutenção do arcabouço fiscal em um novo Governo Lula.
“Eu herdei este governo, em janeiro de 2023, com déficit fiscal de 2,8%. Você sabe quanto vai ser o orçamento deste ano? Superávit primário de 0,1%. Portanto, se tem alguém neste país que tem responsabilidade fiscal, sou eu”, disse.
Ao ser questionado sobre a dívida pública, o presidente lembrou que seus dois primeiros mandatos foram marcados por resultados positivos nas contas do país. “Eu fui o único presidente na história do Brasil que fez superávit primário durante oito anos. Nunca tive problema fiscal neste país”, afirmou.
O presidente também chamou a atenção para um componente frequentemente deixado de lado no debate sobre o endividamento público: o impacto dos juros altos. Lula lembrou que uma parcela importante do crescimento da dívida decorre do custo elevado cobrado sobre ela.
“Uma parte da dívida é por conta da taxa de juros”, afirmou. Em seguida, deixou claro qual trajetória pretende construir para o país: “Eu quero a trajetória de baixar a taxa de juros”.
Além de aumentar os gastos do governo com a rolagem da dívida, os juros elevados encarecem o crédito, dificultam o investimento produtivo e pesam diretamente sobre o orçamento das famílias brasileiras.
Redução do peso da dívida
Lula explicou ainda que o crescimento econômico é essencial para melhorar a relação entre a dívida pública e o PIB. Quanto mais o país produz, gera empregos e arrecada, menor se torna proporcionalmente o peso do endividamento.
“Na medida em que você começa a fazer a economia crescer, o PIB começa a subir e a dívida começa a cair em relação ao PIB”, explicou.
O presidente recordou que encontrou uma economia praticamente estagnada em 2023 e destacou que o Brasil voltou a registrar crescimento consistente durante seu terceiro mandato.
“Você sabe quando o PIB voltou a crescer acima de 2%? Quando eu voltei à Presidência da República. Eu deixei este país crescendo 7,5% em 2010 e, quando voltei, ele estava crescendo 1%”, comparou.
Correios serão recuperados
Ao final do bloco econômico, Lula descartou categoricamente a privatização dos Correios. O presidente reconheceu que a empresa precisa se modernizar, adaptar sua operação ao crescimento das empresas privadas de entrega e reorganizar suas contas.
“Os Correios não se adaptaram aos novos tempos. Surgiu muita empresa de fazer entrega e os Correios ficaram na mesmice”, avaliou.
Lula afirmou que a nova administração terá a responsabilidade de promover os ajustes necessários e não descartou associações com empresas brasileiras ou estrangeiras para melhorar os serviços. A venda da estatal, porém, está fora de cogitação.
“Não considero vender os Correios. Considero recuperar os Correios para prestar serviço de qualidade ao povo brasileiro”, garantiu.


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