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Noite de gritos termina em morte e deixa família de Fátima à espera de respostas em Costa Rica
Noite de gritos termina em morte e deixa família de Fátima à espera de respostas em Costa Rica

Mulher de 54 anos foi encontrada sem vida após moradores relatarem discussão e fortes barulhos; companheiro foi preso como suspeito e investigação deve esclarecer o que aconteceu dentro da residência

Uma noite marcada por gritos, uma discussão e fortes barulhos terminou com a morte de Fátima Alves de Matos, de 54 anos, em Costa Rica, no norte de Mato Grosso do Sul.

Mãe e trabalhadora doméstica, Fátima foi encontrada imóvel sobre um sofá, na área da frente de uma residência, após moradores relatarem ter ouvido uma discussão e barulhos intensos durante a noite de quinta-feira (20).

Segundo as informações apuradas até o momento, a mulher apresentava escoriações nos braços, hematomas em diferentes partes do corpo e um corte extenso na região da testa, atingindo parte da face.

Fátima foi levada pelo próprio filho para a Fundação Hospitalar de Costa Rica, mas chegou à unidade sem sinais vitais.

O caso é investigado inicialmente como possível feminicídio. O companheiro da vítima, Rubens Alves Justino, de 54 anos, conhecido como “Rubinho”, foi preso como suspeito. Ele negou envolvimento.

A causa da morte ainda deverá ser esclarecida pelo exame necroscópico. Também permanecem sob investigação a autoria, a motivação e a sequência exata dos acontecimentos.

O que aconteceu dentro da casa?

Essa é a principal pergunta que permanece sem resposta. Moradores relataram ter ouvido gritos, uma discussão e fortes barulhos. Por volta das 23 horas, segundo os relatos, o silêncio tomou conta do local. Pouco depois, Fátima foi encontrada imóvel.

Neste momento, porém, ainda não é possível afirmar exatamente o que aconteceu dentro da residência ou como os ferimentos foram provocados. Essas circunstâncias deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação e pelos exames periciais.

A cautela é necessária porque o caso ainda está em apuração e o homem preso é, até o momento, suspeito, não condenado.

Um problema que ultrapassa Costa Rica

A morte de Fátima também chama atenção para uma realidade que há anos preocupa Mato Grosso do Sul: os números de feminicídio permanecem elevados no Estado.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que Mato Grosso do Sul registrou 39 feminicídios em 2025, quatro a mais que os 35 contabilizados em 2024. A taxa chegou a 2,6 mortes para cada 100 mil mulheres, colocando MS entre os estados com os maiores índices do país.

No Brasil, 2025 terminou com 1.568 feminicídios, o maior número registrado desde que o crime passou a ser contabilizado dessa forma, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O cenário mostra que casos como o de Fátima não podem ser analisados apenas como episódios isolados de violência. O enfrentamento ao feminicídio depende também da prevenção, da identificação de situações de risco e do funcionamento da rede de proteção às mulheres.

Em Mato Grosso do Sul, a própria Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mantém o Monitor da Violência contra a Mulher, ferramenta que reúne informações sobre a violência contra mulheres nos municípios sul-mato-grossenses.

A morte de Fátima agora será investigada pelas autoridades. Para a família, entretanto, resta uma espera dolorosa por respostas: o que aconteceu naquela noite e como uma mulher de 54 anos acabou sem vida depois de uma sequência de gritos e barulhos dentro de uma residência?

Enquanto a investigação avança, fica também uma reflexão que ultrapassa o caso de Costa Rica: quantas mulheres ainda precisam viver situações de violência antes que o ciclo seja interrompido?

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