Coxim, Rio Verde, São Gabriel do Oeste, Sonora e Pedro Gomes receberam juntos R$ 10,06 milhões em ISSQN no primeiro ano da concessão da BR-163/MS
A nova fase da concessão da BR-163/MS colocou milhões de reais em circulação nos municípios cortados pela rodovia, mas também trouxe uma conta mais pesada para quem utiliza diariamente a estrada. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Motiva Pantanal informou ter repassado R$ 43,3 milhões em ISSQN aos municípios ao longo da rodovia.
No mesmo período em que a concessão anuncia investimentos bilionários na BR-163/MS, os usuários da rodovia passaram a enfrentar tarifas de pedágio mais altas. A partir de 5 de agosto de 2026, as tarifas foram reajustadas, em média, em 41,63%, conforme decisão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O contraste entre os números coloca uma questão no centro do debate: com o aumento expressivo do pedágio e bilhões de reais previstos em investimentos, qual será o retorno efetivamente percebido pelos motoristas e pelas cidades que dependem da BR-163?
Milhões chegaram aos municípios
Segundo os dados divulgados pela concessionária, o ISSQN recolhido no primeiro ano da concessão foi distribuído entre 21 municípios de Mato Grosso do Sul.
Campo Grande recebeu o maior valor, com R$ 6,2 milhões, seguido por Bandeirantes, com R$ 4,8 milhões, e Mundo Novo, com R$ 3,2 milhões.
Na região Norte do Estado, os valores também são expressivos.
Rio Verde de Mato Grosso recebeu R$ 2,96 milhões; São Gabriel do Oeste, R$ 2,92 milhões; Coxim, R$ 2,32 milhões; Sonora, R$ 1,03 milhão; e Pedro Gomes, R$ 818 mil.
Somados, os cinco municípios do Norte receberam aproximadamente R$ 10,07 milhões em ISSQN no período.
Quanto cada município do Norte recebeu
Rio Verde de Mato Grosso: R$ 2.969.249,11
São Gabriel do Oeste: R$ 2.921.482,73
Coxim: R$ 2.324.047,35
Sonora: R$ 1.031.655,65
Pedro Gomes: R$ 818.188,22
O ISSQN é um tributo relacionado à prestação de serviços. Portanto, o valor divulgado pela concessionária não deve ser tratado como uma transferência voluntária da empresa às prefeituras, mas como uma receita tributária decorrente da atividade da concessão.
Pedágio mais caro
Enquanto os municípios passaram a receber esses recursos, o custo para quem utiliza a BR-163 aumentou.
A ANTT aprovou novas tarifas para a rodovia, com reajuste médio de 41,63%, válido a partir de 5 de agosto de 2026.
O aumento ocorre em um momento em que a concessionária afirma estar acelerando os investimentos previstos no contrato de concessão.
A empresa afirma ter executado 52 itens previstos para o primeiro ano contratual, com mais de R$ 1 bilhão aplicados em infraestrutura, segurança viária e modernização da rodovia.
Para os próximos três anos, a previsão anunciada é de mais de R$ 3 bilhões em investimentos, incluindo duplicações, faixas adicionais, melhorias de sinalização e dispositivos de segurança.
O desafio, entretanto, será acompanhar se esses investimentos anunciados serão percebidos na prática por quem percorre diariamente a BR-163.
Quem paga precisa saber o que recebe
A discussão sobre a concessão não envolve apenas quanto dinheiro chega aos cofres municipais, mas também quanto o usuário desembolsa para utilizar a rodovia e quais melhorias efetivamente são entregues.
Com o reajuste das tarifas, o acompanhamento da execução contratual ganha ainda mais importância.
A população precisa saber, por exemplo, quais obras já foram concluídas, quais estão em andamento, quais permanecem previstas e quais melhorias estão programadas especificamente para cada região.
No Norte de Mato Grosso do Sul, onde a BR-163 é fundamental para o transporte de pessoas, produção agrícola, comércio e circulação entre os municípios, essa fiscalização ganha peso ainda maior.
R$ 10 milhões no Norte
Os mais de R$ 10 milhões em ISSQN destinados aos cinco municípios do Norte representam uma receita importante para as administrações locais.
Mas também levantam outra questão: como esses recursos serão utilizados e qual será o impacto deles na vida da população?
A partir de agora, acompanhar a aplicação desses recursos e, principalmente, a execução das obras previstas para a BR-163/MS será fundamental para medir o resultado da nova concessão.
A rodovia movimenta bilhões de reais e é estratégica para Mato Grosso do Sul. Para o motorista, porém, a conta é simples: se o pedágio aumenta, a cobrança por uma estrada mais segura, moderna e eficiente também aumenta.



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