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Suspeito de feminicídio em Rio Verde se entrega e é preso; MS está entre os estados com maior índice de violência contra mulheres
Suspeito de feminicídio em Rio Verde se entrega e é preso; MS está entre os estados com maior índice de violência contra mulheres

Caso de Nathália Rodrigues Nogueira, morta a facadas na presença dos filhos, ocorre em um Estado que terminou 2025 com a quarta maior taxa de feminicídio do país

O suspeito de matar a companheira, Nathália Rodrigues Nogueira, de 26 anos, a golpes de faca, em Rio Verde de Mato Grosso, se apresentou espontaneamente à Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (7), acompanhado de um advogado, e teve a prisão preventiva cumprida.

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Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos, é investigado pelo feminicídio ocorrido na madrugada de quinta-feira (6), no Bairro Santa Inês. O mandado de prisão foi expedido pelo Poder Judiciário após representação da autoridade policial, com base nos elementos reunidos durante as investigações.

Segundo informações apuradas pela reportagem, o crime ocorreu por volta das 3h30, em frente à residência onde o casal morava. Nathália foi atingida por golpes de faca na presença dos dois filhos, de 9 e 5 anos.

As investigações apontam que o casal teria discutido antes do ataque. Após o crime, Jucimar teria telefonado para um familiar e afirmado que havia feito uma “cagada”. Em seguida, desligou o telefone.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, mas a vítima já estava sem vida quando os socorristas chegaram. Policiais militares, civis e equipes da Perícia Técnica também atenderam a ocorrência.

Segundo a Polícia Civil, o investigado possui um registro anterior relacionado à violência doméstica, datado de 2019.

Com a prisão preventiva cumprida, Jucimar permanece à disposição da Justiça. O inquérito policial continua para esclarecer integralmente as circunstâncias do crime.

Mais um caso em um Estado marcado por índices preocupantes

A morte de Nathália acontece em um Estado que terminou 2025 com uma das maiores taxas de feminicídio do Brasil.

Mato Grosso do Sul registrou 39 feminicídios em 2025. A taxa chegou a 2,6 mortes para cada 100 mil mulheres, colocando o Estado na quarta posição entre as maiores taxas do país.

O cenário continua preocupante em 2026. Dados do monitoramento estadual apontavam 16 feminicídios registrados até 27 de julho.

Os números mostram que a violência contra a mulher permanece como um dos principais desafios de segurança pública e de proteção social em Mato Grosso do Sul.

E o problema não se limita aos feminicídios.

Estado também lidera taxa de maus-tratos contra crianças

Outro indicador chama atenção. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam Mato Grosso do Sul como o Estado com a maior taxa nacional de maus-tratos contra crianças e adolescentes.

Foram 1.593 registros em 2025, com uma taxa de 206,5 ocorrências para cada 100 mil crianças e adolescentes. O índice é quase três vezes superior à média nacional, de 77,4 casos por 100 mil.

São números que colocam sob pressão não apenas as forças de segurança, mas toda a rede de prevenção, proteção e atendimento mantida pelo poder público.

A pergunta que precisa ser respondida

Mato Grosso do Sul possui delegacias especializadas, mecanismos de proteção, monitoramento de medidas protetivas, operações policiais e políticas públicas destinadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.

O Governo do Estado também anuncia periodicamente novas ações de combate à violência doméstica e de proteção às vítimas.

Diante disso, a questão que se coloca não é se o Estado realiza operações ou possui políticas públicas. A questão é qual tem sido o resultado concreto dessas medidas.

Se Mato Grosso do Sul continua entre os estados com as maiores taxas de feminicídio do país, é legítimo cobrar uma avaliação sobre a efetividade da rede de proteção.

Quantas mulheres assassinadas já haviam procurado ajuda? Quantas possuíam medidas protetivas? Quantos autores já tinham histórico de violência doméstica? Quantas medidas protetivas foram efetivamente fiscalizadas? E quantas situações de risco foram identificadas antes que terminassem em morte?

Essas respostas são fundamentais para saber se a estrutura existente está conseguindo agir antes da tragédia.

Não basta agir depois que a violência acontece

A prisão de Jucimar representa uma resposta importante do sistema de Justiça diante de uma investigação de feminicídio. Mas a prisão acontece depois que uma mulher perdeu a vida.

É justamente na prevenção que está o maior desafio. Os números não permitem atribuir ao Governo do Estado a responsabilidade pelas decisões criminosas tomadas individualmente pelos autores de feminicídios. Mas permitem, sim, cobrar resultados das políticas públicas de prevenção, proteção e enfrentamento da violência.

Mato Grosso do Sul terminou 2025 com a quarta maior taxa de feminicídio do Brasil e liderou nacionalmente a taxa de maus-tratos contra crianças e adolescentes.

Diante desse cenário, a sociedade tem o direito de perguntar:

As políticas públicas estão funcionando?

E, se estão, por que os indicadores continuam colocando Mato Grosso do Sul entre os estados com os piores índices de violência contra mulheres e crianças?

A morte de Nathália, agora investigada pela Polícia Civil, não deve ser apenas mais um número em uma estatística. Deve servir também como alerta para que o poder público apresente resultados concretos na prevenção de novas tragédias.

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