Levantamento divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) aponta que mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento entre janeiro e junho de 2026. Os dados foram publicados poucos dias após o governo dos Estados Unidos citar o desmatamento ilegal como uma das justificativas para impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

Segundo o estudo, 588 áreas protegidas permaneceram sem registros de desmatamento no primeiro semestre deste ano, incluindo 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação.
Menor índice para o período em oito anos
O Imazon informa que a Amazônia perdeu 1.145 quilômetros quadrados de floresta entre janeiro e junho de 2026, uma redução de 10% em relação ao mesmo período de 2025. De acordo com o instituto, trata-se do menor índice de desmatamento para um primeiro semestre desde 2018.
Na comparação com 2022, quando foi registrado o maior desmatamento da série histórica para o período, a redução chega a 76%.
As áreas protegidas responderam por 97,37 km² do desmatamento registrado no semestre, o equivalente a cerca de 8% do total. Desse volume, 9,38 km² ocorreram em terras indígenas e 87,99 km² em unidades de conservação.
Áreas de maior pressão
Apesar da redução dos índices, o levantamento aponta que algumas regiões continuam sofrendo forte pressão ambiental.
A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, concentrou praticamente metade do desmatamento registrado em todas as áreas protegidas da Amazônia durante o semestre, com 47,85 km² de floresta derrubada.
Outra área destacada pelo estudo é a Floresta Nacional do Jamanxim, também no Pará, que perdeu 3,45 km² de vegetação nativa. O instituto chama atenção para a recente aprovação, pelo Senado, de um projeto que reduz a área da unidade de conservação.
Sete estados reduziram desmatamento
O levantamento mostra ainda que sete dos nove estados da Amazônia Legal apresentaram redução no desmatamento entre agosto de 2025 e junho de 2026. Apenas Roraima, com aumento de 25%, e o Maranhão, com alta de 20%, registraram crescimento no período.
Em números absolutos, o Pará liderou o ranking de áreas desmatadas, com 684 km², seguido por Mato Grosso, com 509 km², e Amazonas, com 378 km².
Debate sobre tarifas
Os dados foram divulgados em meio ao impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos. Ao anunciar novas tarifas sobre produtos brasileiros, o governo norte-americano apontou o desmatamento ilegal como um dos fatores que motivaram a medida.
O governo brasileiro contestou a justificativa e afirmou que os indicadores ambientais vêm apresentando melhora desde 2023, sustentando que o país tem reduzido os índices de desmatamento e reforçado as ações de fiscalização e proteção da Amazônia.
Fonte: Agencia Brasil




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